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Chronoworking: a tendência que adapta o trabalho ao relógio biológico dos profissionais

Modelo de trabalho aposta em produtividade, bem-estar e gestão personalizada do tempo — mas também traz desafios

Na sua essência, o chronoworking envolve permitir que profissionais escolham os horários mais produtivos para desempenhar suas atividades (Rudzhan Nagiev/Getty Images)

Na sua essência, o chronoworking envolve permitir que profissionais escolham os horários mais produtivos para desempenhar suas atividades (Rudzhan Nagiev/Getty Images)

Publicado em 6 de abril de 2025 às 13h51.

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O tradicional expediente das 9h às 17h pode estar com os dias contados — ao menos para quem busca mais bem-estar e equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Em ascensão desde a pandemia, o chronoworking propõe justamente isso: adaptar a rotina de trabalho aos picos de energia de cada pessoa, respeitando seus ritmos biológicos.

Essa é uma das tendências que está ganhando força no mundo e que pode influenciar inclusive o mercado brasileiro, segundo a Mauve Group, especialista em soluções de RH e mobilidade global.

A origem do chronoworking

O termo chronoworking foi cunhado pela jornalista Ellen C. Scott em janeiro de 2024 e rapidamente ganhou espaço em publicações internacionais como BBC e Newsweek.

“É mais do que uma moda: trata-se de reconhecer o trabalhador como um indivíduo único, com diferentes necessidades e capacidades de gerenciar o próprio tempo”, defendeu Scott em entrevista.

Os 4 cronotipos de sonos

Na prática, o chronoworking é uma forma de trabalho assíncrono baseada nos chamados cronotipos — ou seja, nos horários em que o corpo humano naturalmente prefere dormir, acordar e se concentrar. Para esse estilo de trabalho, Joaquim Santini, pesquisador internacional sobre o mercado de trabalho, traz à tona a teoria do psicólogo clínico Michael Breus, especialista em sono, que afirma que existem quatro grandes grupos de cronotipos:

  • 55% têm seu pico de produtividade entre 10h e 14h
  • 15% são mais produtivos nas primeiras horas da manhã
  • 15% têm mais energia à noite
  • 10% têm um ritmo mais errático, que varia dia a dia

Apesar disso, uma pesquisa recente com 1.500 trabalhadores americanos mostrou que 94% atuam fora do seu horário ideal, e 77% acreditam que isso afeta negativamente seu desempenho, afirma Santini.

“O resultado? Quase metade recorre a cochilos no expediente, 42% à cafeína e 43% a práticas como mindfulness para tentar manter o foco”, diz o pesquisador.

Como funciona?

Na sua essência, o chronoworking envolve permitir que profissionais escolham os horários mais produtivos para desempenhar suas atividades. Isso pode ocorrer em dois formatos, segundo Santini:

 *Modelo organizacional

Empresas que adotam a estratégia de forma oficial devem:

  • Revisar reuniões: limitar encontros ao estritamente necessário, privilegiando comunicações assíncronas
  • Criar “horários principais”: estabelecer janelas de tempo para colaboração síncrona (ex: entre 11h e 15h)
  • Promover confiança e autonomia: gestores devem deixar o controle de lado e focar em resultados
  • Ouvir as equipes: adaptar políticas a partir das necessidades reais dos colaboradores

*Iniciativa individual

Mesmo sem uma política formal, o pesquisador afirma que os profissionais podem experimentar:

  • Mapear seus picos de energia: observar, por algumas semanas, quando se sentem mais concentrados
  • Organizar tarefas por tipo de esforço: reservar horários de alta energia para atividades mais complexas
  • Ajustar a rotina pessoal: alinhar sono, alimentação e momentos de lazer ao próprio ritmo biológico

Vantagens x desafios

Entre os benefícios apontados por especialistas estão o aumento da produtividade, a redução de estresse e um maior equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. O modelo também favorece a inclusão, ao acomodar diferentes estilos de vida, circunstâncias familiares e fusos horários — o que é especialmente valioso em equipes globais.

No entanto, há obstáculos a serem considerados. “Existem legislações, como no Brasil, que exigem pagamento adicional por trabalho noturno”, conta Santini, especialista em tendências do trabalho. “Além disso, é preciso evitar a sobrecarga e garantir que a comunicação funcione bem, mesmo sem todos estarem online ao mesmo tempo.”

Outro desafio está na mudança de mentalidade. “Ainda temos uma cultura de presenteísmo, onde valoriza-se mais quem está visivelmente ocupado do que quem entrega resultados de forma eficiente”, diz Santini.

O futuro do trabalho?

O chronoworking surge como resposta a um cenário cada vez mais exausto — no qual trabalhadores são forçados a ignorar seus próprios ritmos em nome da produtividade, afirma Ellen Scott em entrevista à veículos internacionais.

“É uma evolução natural, após séculos de rotinas impostas por necessidades industriais e não humanas”.

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