As lições do explorador Shackleton para liderar na pandemia

Explorador antártico tem lições para este 2020, segundo o professor de Harvard Boris Groysberg em curso organizado pelo BTG Pactual e pela Constellation

A crise do novo coronavírus tem levado empresas dos mais diversos setores a recorrer a outros momentos de grande tensão na história para inspirar seus gestores. As frases inspiradoras do ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill, por exemplo, voltaram com força total, especialmente aquela que diz que “lutaremos nas praias, nos campos, nas colinas”.

Churchill também é uma referência na importância aos detalhes, e à preparação para momentos decisivos. Certa vez ele disse que precisamos de quatro horas de preparação para escrever um grande discurso de 5 minutos, mas que para um discurso mediano de 30 minutos só precisava de 30 minutos.

Outra referência que nunca esteve tão viva é aquela que relaciona o mundo dos negócios às grandes explorações. A comparação pode fazer mais sentido em ambientes corporativos com executivos cada vez mais afeitos a exercícios extremos, como triatlon, maratona e crossfit.

Um dos maiores especialistas do mundo em traduzir os desafios e os dilemas de uma grande exploração para o mundo corporativo é Boris Groysberg, professor da escola de negócios da Universidade Harvard. Na semana passada Groysberg ministrou um curso online a líderes convidados pelo banco BTG Pactual (do mesmo grupo que controla a Exame) e pela gestora Constellation Asset Management. 

O especialista publicou recentemente um artigo em Harvard com o título “Dirigindo durante a crise: como manter empregados motivados e engajados durante a pandemia”. Durante semanas, ele perguntou a 600 presidentes de empresas questões como “o que te mantém acordado durante a noite durante a epidemia global?”.

“O grande movimento para o trabalho remoto significa que os gestores são, agora, para muitos empregados, o único rosto da companhia com quem eles interagem. Isso aumenta em muito a importância dos gestores”, escreve o especialista em seu artigo.

Durante o curso, o especialista se baseou em duas histórias famosas para inspirar a turma. A primeira delas é a da rivalidade entre os exploradores Robert Falcon Scott e Ronald Amundsen, contada em livros como Scott e Amundsen, de Roland Huntford, e Vencedoras por Opção, de Jim Collins. Os dois exploradores tentaram quase ao mesmo tempo ser os primeiros homens a chegar ao polo sul, no começo do século 20. Scott, mais arrojado e indisciplinado, jamais voltou para casa. Amundsen, com uma espartana estratégia de marchar 20 milhas por dia, independentemente das facilidades ou das dificuldades, triunfou.

O time de Scott tinha 60 pessoas, com excesso de hierarquia. O de Amundsen, apenas 19, com alinhamento de objetivos. Groysberg disse que Amundsen tinha em seu time só os “10xers”, aqueles que eram 10 vezes melhores que uma pessoa normal. Amundsen se preparou fisicamente e estudou o ambiente a fundo — sabia, por exemplo, que não poderia cozinhar demais a carne de foca, para conservar seus nutrientes.

Outra referência do curso de Groysberg é outro explorador, Sir Ernst Shackleton, autor de um dos livros mais célebres sobre explorações. Com Shackleton, o professor reforçou a importância do foco, de unir as pessoas certas, do planejamento e da liderança. Tudo deu errado na viagem do explorador, e ainda assim ele trouxe seus homens de volta para casa.

Um artigo de 2010 da escola de negócios de Harvard traz uma frase seminal de Sir Raymond Priestley, outro explorador antártico. “Para descobertas científicas me dê Scott; para velocidade e eficiência me dê Amundsen; mas quando o desastre se instala e toda a esperança se foi, se ajoelhe e reze por Shackleton”.

Na falta de Shackletons na vida real das empresas, ao menos suas lições podem inspirar gestores de 2020 a passar pela maior pandemia dos últimos 100 anos.

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