5 dicas para estimular a curiosidade, por quem vive dela

Segundo a Psychology Today, um estudo de 2011 mostrou que curiosidade e consciência são mais importantes que a inteligência para prever sucesso profissional

São Paulo – As empresas costumam enfatizar muitas das mesmas características quando consideram candidatos a vagas de emprego.

Experiência conta muito, assim como honestidade, persistência, criatividade e inteligência.

Mas uma característica que às vezes passa em branco é a curiosidade – e as pesquisas mostram que ela é absolutamente essencial para o sucesso no trabalho.

O chamado “quociente de curiosidade”, ou QC, tem a ver com a fome de conhecimento da pessoa, explica Tomas Chamorro-Premuzic no blog da Harvard Business Review.

“Pessoas com QC alto fazem mais perguntas e estão mais abertas a novas experiências. Elas se empolgam com as novidades e ficam entediadas com a rotina. Tendem a gerar ideias originais e não são conformistas.”

Segundo a revista Psychology Today, um estudo de 2011 mostrou que a curiosidade e a consciência são mais importantes que a inteligência para prever o sucesso profissional.

Em algumas carreiras, a curiosidade é um músculo que precisa ser constantemente exercitado.

Aqui, cinco mestres de suas áreas de atuação contam quais as qualidades que ajudam os curiosos a se manter curiosos, ano após ano.

Eles olham para outros tipos de negócios.

A Dogfish Head é considerada uma das cervejarias mais arrojadas e inovadoras do mundo (um perfil de 2008 da New Yorker chamou a empresa de “mascote” do movimento das cervejarias artesanais “rebeldes”), e a curiosidade é uma parte essencial da companhia, diz o fundador, Sam Calagione.

“A razão de ser da nossa empresa é essa missão de explorar e trabalhar além das fronteiras estilísticas de uma indústria dominada por categorias militantes – lagers alemãs, pale ales inglesas”, disse ele ao Huffington Post.

“Sempre tentamos abordar as novas receitas com a seguinte mentalidade: ‘Vamos fazer algo que nunca tenhamos feito antes’.”

Olhar para outros tipos de negócios, além do mundo da cerveja, ajuda Calagione a manter seu senso de curiosidade, apesar dos 20 anos de carreira como cervejeiro.

“Me inspiro em outras indústrias que me interessam, mas que não têm nada a ver com cerveja”, diz ele.

“Parar de pensar na sua indústria e no que fazem os seus concorrentes é a melhor oportunidade de inovar.”

Calagione é um leitor voraz, mas ele abre mão das publicações sobre cervejas. Prefere revistas de arte, arquitetura, música e interesse geral.

Ele busca inspiração nos mundos da música, da pintura e da escultura, e até mesmo na produção de queijos artesanais ou na torrefação de café.

Eles mergulham fundo em suas paixões.

Quem estuda biblioteconomia vai trabalhar em bibliotecas, arquivos históricos e museus – instituições baseadas e dedicadas a saciar a curiosidade intelectual.

Craig McDonald, professor assistente da escola de informação e biblioteconomia do Pratt Institute, acredita que um senso nato de curiosidade é o que move seus alunos. Mas existem estratégias para incentivar essa curiosidade.

“O denominador comum parece ser encontrar as coisas que te apaixonam e mergulhar nelas, até achar que aprendeu tudo o que era possível”, diz ele.

“Esse processo pode tomar várias formas – ler, pesquisar, viajar, falar com as pessoas etc. –, mas, no fundo, sempre se trata de satisfazer um desejo pessoal de aprendizado.”

O programa (e o campo da biblioteconomia, em geral) permite que os estudantes se dediquem a tópicos aparentemente obscuros e os incentiva a aprender o máximo possível.

Isso, por sua vez, estimula ainda mais o apetite por conhecimento.

Eles afiam o pensamento crítico todos os dias.

Sanjay Goel – diretor de pesquisa do Centro de Informação NYS de Perícia e Garantias e um especialista em perícias digitais relacionadas à privacidade, à segurança e aos cibercrimes – compara seu campo de atuação a um trabalho de detetive, “cavando cada vez mais fundo nos dados para entender as coisas”.

“Acho que a curiosidade pode ser inculcada por meio da solução de problemas”, explica ele.

Os programas que Goel supervisiona costumam ter “acampamentos” de pensamento crítico.

Os alunos recebem diversos problemas e quebra-cabeças para resolver, além de casos para discutir e analisar.

A ideia é que eles aprendam a pensar de forma independente, sistemática e analítica.

Mas qualquer pessoa que queira cultivar a curiosidade pode fazê-lo, concentrando-se em habilidades de pensamento crítico.

Jogos e quebra-cabeças ajudam a desenvolver essas habilidades, diz Goel.

“A internet está cheia de quebra-cabeças; experimente fazer palavras-cruzadas”, diz ele.

“Eles expandem a mente de várias maneiras e ajudam a pensar criticamente.”

Elas mudam de perspectiva… literalmente.

A aparência de um objeto tridimensional quando exibido em duas dimensões é uma das questões que levam os fotógrafos a escolherem sua profissão e o que os leva a observar o mundo de perspectivas diferentes, diz Steve Bliss, reitor da Escola de Belas Artes do Savannah College of Art and Design e também fotógrafo.

“Tenho curiosidade de saber como as coisas vão parecer quando fotografadas, mas também tento ser original e criativo ao olhar para elas”, diz ele.

Mudar de perspectiva e perguntar-se que aparência as coisas terão dependendo da luz ou das lentes usadas — tudo faz parte dessa curiosidade.

Mas a estratégia de Bliss pode ser levada ao pé da letra. Você se sente empacado ou sem inspiração? Faça um esforço para olhar o problema de ângulos diferentes. 

Bliss se dedica a projetos de longo prazo (como fotografar paisagens, por exemplo), que mudam periodicamente.

Buscar um novo assunto, assim como mudar o ângulo da câmera, ajuda-o a se manter renovado, curioso e inspirado.

Eles estão à vontade quando estão pouco à vontade.

“A curiosidade, eu diria, é o maior motor de quem trabalha nesse campo… ela é crítica para o que fazemos no nosso dia-a-dia de exploradores”, diz Jekan Thanga, professor assistente de sistemas espaciais da Escola de Exploração Terrestre e Espacial da ASU.

A curiosidade é essencial na ciência e na engenharia e é a força por trás da inovação, das novas pesquisas e do desenvolvimento.

A chave para manter o senso de curiosidade é constantemente aprender coisas novas.

Mas a busca do conhecimento não garante encontrar respostas, alerta Thanga, muito menos a resposta.

“Um dos grandes desafios é justamente ter de lidar com perguntas sem resposta”, afirma ele.

“Muitos se frustram e desistem. Mas eu acho que a persistência é essencial, por menores que sejam suas chances.”

Em outras palavras, as pessoas curiosas não precisam de todas as respostas agora.

Em vez disso, elas aceitam e até têm prazer de conviver com as incertezas que fazem parte da exploração intelectual.

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