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Opinião: Estamos na melhor janela da década para investir em startups

Empresas beneficiadas pela Lei de Informática podem transformar obrigações de PD&I em alocações estratégicas de alto retorno no mercado de risco

Oportunidades em Venture Capital e Lei de Informática durante ciclos de juros altos (Lana Stock iStock / Getty Images Plus/Getty Images)

Oportunidades em Venture Capital e Lei de Informática durante ciclos de juros altos (Lana Stock iStock / Getty Images Plus/Getty Images)

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Publicado em 30 de julho de 2026 às 17h00.

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Por Flavio Marinho, Diretor da LightHouse Investimentos.

Quando a taxa Selic e os juros futuros atingem patamares elevados, como o cenário atual, o reflexo natural de diretores financeiros e investidores institucionais é buscar o porto seguro da renda fixa.

A previsibilidade e os prêmios nominais de curto prazo exercem um magnetismo inegável sobre a alocação de capital.

No entanto, para os tomadores de decisão que calibram suas estratégias olhando além da neblina do ciclo monetário atual, este pode ser visto como o momento em que as maiores teses de rentabilidade da próxima década estão sendo construídas.

Isso é especialmente verdadeiro para as companhias beneficiadas por incentivos fiscais, como a Lei de Informática, que têm obrigação de realizar investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) e podem alocar recursos em fundos de Venture Capital.

O impacto dos juros altos no ecossistema de inovação

Para entender essa dinâmica, é útil observar um setor mais tradicional: o mercado imobiliário voltado à classe média.

Assim como os ativos reais, que tendem a reagir de forma elástica às variações das taxas de juros, o mercado de Venture Capital (capital de risco) é influenciado fortemente pela gravidade macroeconômica.

Em cenários de juros altos, o custo de capital sobe, o crédito seca e a liquidez global diminui.

Este movimento tende a comprimir os múltiplos adotados e a queda no preço dos ativos tende a ser observada em diversos setores e perfis de startups.

Por outro lado, quando o ciclo se inverte e a liquidez volta a irrigar o mercado de capitais, o valuation das empresas de tecnologia tende a crescer de forma intensa.

A matemática financeira é cíclica e implacável: quem aloca capital na alta dos juros, colhe os prêmios de risco na baixa.

Hoje, os valuations das startups brasileiras encontram-se severamente descontados.

A reprecificação global afastou os investidores "turistas" do ecossistema de inovação, deixando sobre a mesa empresas com fundamentos sólidos, unit economics saudáveis, tecnologias disruptivas e valuations extremamente atrativos para o capital paciente.

A Lei de Informática como trunfo estratégico

É exatamente nesta conjuntura que emerge a vantagem assimétrica das empresas beneficiárias da Lei de Informática, uma das mais longevas políticas públicas de inovação do país e responsável pelo adensamento da cadeia de tecnologias digitais em nosso território.

Como contrapartida aos benefícios tributários, essas companhias possuem a obrigação legal de investir em PD&I.

Historicamente, muitas corporações encaram essa exigência como um sunk cost (custo irrecuperável) ou um passivo burocrático complexo de ser gerenciado in-house.

Contudo, a atual assimetria do mercado transformou essa obrigação em um trunfo estratégico de alocação.

Ao direcionar esses recursos para um Fundo de Investimentos em Participações (FIP) estruturado rigorosamente sob as diretrizes da Lei de Informática, a empresa deixa de apenas "gastar" com PD&I e passa a investir na construção de um portfólio diversificado de base tecnológica.

Gestoras especializadas, como a LightHouse Investimentos, têm estruturado veículos que mudam a equação de valor para as empresas incentivadas, entregando três pilares fundamentais:

Segurança Jurídica e Compliance: O investimento via FIP é um mecanismo amplamente validado e regulamentado. O risco de glosa ou inconformidade regulatória, antes um temor comum, foi mitigado por marcos legais recentes e por processos de credenciamento prévio dos fundos pelo MCTI, auditoria e gestão profissionalizados.

Eficiência Operacional: A corporação transfere a pesada carga de gerir, auditar e reportar dezenas de projetos internos de PD&I para um time de gestores fiduciários. O esforço gerencial da companhia volta a se concentrar exclusivamente em seu core business.

Potencial Exponencial de Retorno (Curva J): O horizonte de maturação de um FIP de Venture Capital gira em torno de 7 a 10 anos. Isso significa que o capital alocado hoje — na base do ciclo, com startups descontadas pela Selic a 14,5% — irá maturar e buscar liquidez (via M&A ou IPOs) exatamente quando o cenário macroeconômico for mais favorável, permitindo a captura de múltiplos exponenciais.

Visão de longo prazo na alocação de capital

Cabe, contudo, uma ressalva de prudência analítica.

Assim como o mercado imobiliário não se move em linha reta, o ecossistema de ativos ilíquidos — como o Venture Capital — é caracterizado por uma profunda complexidade multifatorial.

A taxa de juros atua como o principal maestro da liquidez global, mas não é a única variável a ditar a precificação de uma companhia.

Dinâmicas setoriais, choques tecnológicos e a própria capacidade de execução dos fundadores exercem pesos significativos nessa balança.

Portanto, a correlação entre juros altos e valuations descontados aponta para uma tendência macroeconômica robusta, o que não exclui eventuais flutuações, correções de rota ou exceções ao longo do tempo.

O investidor sofisticado compreende que está se posicionando para capturar uma trajetória direcional de longo prazo, e não uma equação matemática imune a solavancos.

Investir em inovação com a Selic elevada pode soar contraintuitivo para a ortodoxia financeira, mas representa o movimento de alocação mais sofisticado para quem já possui o mandato legal de inovar.

Não se trata de remar contra a maré econômica, mas de utilizar a sua força motriz a favor do balanço da empresa.

Ao canalizar parte dos recursos de PD&I para um FIP, a companhia garante compliance regulatório, fomenta a densidade do ecossistema tecnológico brasileiro e, sobretudo, garante seu assento na primeira fila para capturar a geração de riqueza do próximo ciclo de alta do mercado.

A janela de oportunidade está aberta.

A escolha entre tratar o PD&I como um mero centro de custo ou como a alocação mais estratégica da década definirá os líderes de amanhã.

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