O valor real não reside na inteligência artificial bruta isolada, mas na precisão com que ela atende o seu cliente final e executa as metas do negócio (J Studios/Getty Images)
Plataforma de conteúdo
Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 17h00.
No mercado imobiliário de alto padrão em São Paulo, vivemos um momento de maturidade e sofisticação.
Dados recentes do setor mostram que, embora a entrega de novos estoques tenha diminuído em 2025, a vacância nos prédios "Triple A" permanece significativamente menor do que a média geral.
O que impulsiona essa demanda não é só a busca por metros quadrados, mas por ativos que entregam infraestrutura e a tecnologia necessária para as estratégias corporativas no cenário de trabalho híbrido.
Estamos vivenciando um paralelo exato no setor de tecnologia com a inteligência artificial generativa.
Nos últimos anos, muitas empresas focaram em "levantar as paredes", adotando modelos de linguagem (LLMs), mas poucas cruzaram a linha de chegada.
No mundo dos negócios, o sucesso prático da IA não é definido pelo motor bruto que a move, mas pelo seu acabamento: a arquitetura que garante que a resposta seja correta, segura, ética e, acima de tudo, útil.
E velocidade conta: assim como o locatário busca espaço em um "Triple A" para já, as empresas querem retorno sobre projetos em IA no curto prazo.
Um prédio sem acabamento é inabitável; uma IA sem governança é um risco operacional.
Modelos de linguagem são, por definição, especialistas em probabilidade, não em precisão factual.
Sem uma base sólida de dados contextuais e regras claras, um modelo pode "alucinar" ao interagir com o cliente — inventando preços, prazos ou políticas inexistentes — e comprometer a reputação e a confiança.
O acabamento na IA corporativa é o que permite a transição da experimentação para a execução estratégica.
Essa evolução se materializa na adoção de agentes de IA: sistemas autônomos que vão além da geração de texto.
Eles raciocinam sobre tarefas, analisam dados do negócio e tomam decisões.
Para que isso ocorra, é indispensável uma camada de confiança (Trust Layer) que conecte esses agentes de forma segura e ética aos dados críticos da empresa — estoque, logística, histórico do cliente, sistemas de vendas e serviço — em tempo real.
Empresas líderes já compreenderam que o acabamento da IA é o que garante a eficiência e o retorno sobre o investimento (ROI).
No Brasil, há companhias que se apoiam na IA agêntica para suprir picos de demanda no atendimento ao cliente, propondo serviços e produtos que fazem sentido naquele contexto específico, inclusive como "consultor" ao consumidor final no ecommerce da empresa.
O mercado de tecnologia está amadurecendo de forma análoga ao setor imobiliário paulistano, onde a baixa vacância e a valorização dos ativos sinalizam a busca por qualidade superior.
Líderes de negócio deixaram de perguntar "qual IA é a mais inteligente?" para perguntar "qual a arquitetura de IA é a mais confiável, integrada e segura para a minha operação?" ## O desafio da integração e precisão
O desafio para os próximos anos não será sobre quem tem o modelo mais potente, mas sobre quem entrega a solução mais bem acabada, integrada e com agentes inteligentes.
O valor real não reside na inteligência artificial bruta isolada, mas na precisão com que ela atende o seu cliente final e executa as metas do negócio.
É hora de investir no acabamento da sua estratégia de IA.
*Rodrigo Bessa é Country Manager da Salesforce no Brasil.