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Já pensou em usar tokens como hedge contra a inflação no Brasil?

Diferentemente do dinheiro tradicional, os principais tokens são limitados e se valorizam pela escassez
A transformação digital altera também a forma como as pessoas se relacionam com dinheiro (Jirapong Manustrong/Getty Images)
A transformação digital altera também a forma como as pessoas se relacionam com dinheiro (Jirapong Manustrong/Getty Images)
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Por Daniel Carius* Publicado em 07/06/2022 às 13:40.

Independentemente da classe social ou do poder aquisitivo, a inflação alta voltou a ser um incômodo para a maioria das famílias brasileiras. No supermercado, no combustível dos veículos e em diferentes serviços no país, os preços subiram consideravelmente — e a renda da maioria das pessoas não acompanhou esse aumento.

Entretanto, há formas de se precaver contra esse cenário econômico adverso por meio dos hedges, ativos financeiros que não são impactados pela alta de preços. Graças ao avanço das soluções digitais, alguns criptoativos, principalmente os tokens, também servem como proteção do dinheiro.

Diversos levantamentos mostram que essa preocupação realmente se faz necessária no Brasil. O Relatório Focus de maio de 2022, publicado pelo Banco Central, projeta que a inflação para este ano deve ser de 7,89%. Foi a 16ª alta consecutiva na revisão desse indicador.

Além disso, a prévia da inflação oficial do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA 15) mostra em maio de 2022 um aumento de 12,2% nos últimos 12 meses. Por fim, entre os membros do G20 (as 20 maiores economias do planeta), o Brasil tem o quarto pior índice de inflação, à frente apenas de Venezuela, Argentina e Rússia.

Mas onde entram os criptoativos nessa história? Simples, pela própria característica deles em relação às moedas fiduciárias e ao processo de inflação. O principal problema do dinheiro tradicional (real, dólar, euro etc.) com o aumento de preços é justamente o fato de ele ser impresso. Quando precisa, o governo federal vai lá e imprime. Chega uma hora que a conta não bate e, com isso, o dinheiro em circulação perde o valor de compra.

Os tokens são justamente o contrário: os principais são limitados. Ou seja, eles não podem ser criados sempre que alguém quiser. Só estão disponíveis aqueles que já circulam no ambiente digital. Assim, em vez de perder valor porque a oferta é abundante, os ativos digitais se valorizam porque são escassos.

Essa situação leva à primeira característica fundamental para os tokens se posicionarem como um importante hedge contra a inflação. O valor deles não depende da inflação ou de outros fatores macroeconômicos, como a taxa Selic. Os preços dos produtos e serviços podem continuar subindo que isso não impactará em nada os criptoativos.

Por serem limitados, o que determina o valor é justamente a sua procura e importância no ambiente digital. São diferentes, por exemplo, de ativos financeiros tradicionais, que costumam estar atrelados à variação desses indicadores.

Além disso, os principais tokens disponíveis também possuem uma característica fundamental: são de utilidade. Isto é, além de terem um valor em si, eles dão acesso a diferentes funcionalidades ou até a bens dentro de um ecossistema em suas transações.

Dessa forma, também servem como moeda de troca para empresas, possibilitando que as pessoas adquiram diferentes produtos e serviços. No mercado imobiliário, por exemplo, esses criptoativos permitem que a pessoa possa contratar pedreiros, engenheiros, advogados, entre outros prestadores em um valor que independe da inflação. Quem não gostaria de poder contratar serviços sem imaginar se o preço dele vai mudar ou não ao longo do tempo, não é mesmo?

Se a transformação digital está alterando a forma como as pessoas convivem com diferentes setores da economia, era natural que provocasse mudanças também em nossa relação com o dinheiro. Os tokens surgiram justamente com esse propósito, permitindo que as pessoas possam comprar, investir e pagar sem ter que depender das moedas tradicionais.

Em um cenário econômico incerto provocado pela inflação, ficam evidentes as vantagens desse novo modelo para as pessoas e empresas. Os criptoativos, portanto, não são mais o futuro, mas um presente cada vez mais consolidado e real para todos.

*Daniel Carius é COO da Ribus, plataforma de integração blockchain voltada ao mercado imobiliário

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