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Gestão Sustentável na COP30 - Dia 1: será esta (finalmente) a COP da Verdade?

Nesta semana, a coluna Gestão Sustentável faz um boletim diário da COP 30 em Belém

Entrada da COP30, no Parque da Cidade, em Belém: evento receberá mais de 50 líderes estrangeiros (Leandro Fonseca/Exame)

Entrada da COP30, no Parque da Cidade, em Belém: evento receberá mais de 50 líderes estrangeiros (Leandro Fonseca/Exame)

Danilo Maeda
Danilo Maeda

Diretor-geral da Beon - Colunista Bússola

Publicado em 11 de novembro de 2025 às 14h15.

Última atualização em 13 de novembro de 2025 às 16h18.

A COP30 começou oficialmente em Belém com discursos que traduzem o espírito que paira sobre a conferência. À medida que os participantes chegavam ao Parque da Cidade, o contraste entre o calor das áreas urbanas sem cobertura vegetal e o frescor das zonas protegidas pela floresta oferecia uma metáfora para a emergência climática não como um conceito abstrato mas uma realidade percebida, vivida e urgente.

Como esperado, os discursos na cerimônia de abertura convergiram na mesma direção: esta precisa ser a COP da implementação. Ou, como definiu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a COP da Verdade — aquela em que promessas se transformam em ações concretas, e a distância entre discurso e prática finalmente se encurta.

O embaixador André Corrêa do Lago, presidente do evento e negociador experiente, resumiu o desafio ao defender a necessidade de um “mutirão global contra a emergência climática”, com todos os países e setores engajados em uma mesma tarefa. É uma convocação à cooperação em um momento em que o planeta não pode mais se dar ao luxo da fragmentação.

Na mesma linha, Simon Stiell, secretário-executivo da Convenção do Clima da ONU (UNFCCC), reforçou a importância de colocar em prática o Mapa de Baku a Belém, roteiro que orienta as negociações desde a COP29 no tema do financiamento, e de avançar em dois pilares fundamentais: o acordo global de adaptação, com metas mensuráveis, e o fortalecimento do conceito de transição justa, para que o futuro verde não seja privilégio de poucos. “Estamos aqui para cooperar, não para disputar”, afirmou.

Já em seu discurso, o presidente do Brasil ressaltou que investir US$ 1,3 trilhão por ano na transição e adaptação climática vale muito mais do que gastar US$ 2 trilhões em guerras. Uma provocativa síntese do dilema global contemporâneo: o dinheiro existe, mas as prioridades estão em outros lugares. Lula também cobrou que os países apresentem NDCs mais ambiciosas e alinhadas ao Acordo de Paris, propôs a criação de um Conselho do Clima vinculado à Assembleia Geral da ONU — o que daria ao tema uma estatura política inédita — e reforçou o conceito de justiça climática, com as pessoas no centro das decisões.

Outro momento de destaque foi a apresentação de Fafá de Belém e Margareth Menezes, que exaltou a cultura brasileira e paraense. Valorização oportuna para lembrar ao mundo que mutirão é coisa nossa. Talvez essa seja a maior contribuição do Brasil neste momento: mostrar que é possível unir forças em torno de um propósito comum, mesmo em tempos de divisão, ódio e extremismo.

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