“É uma forma de imaginar empresas mais colaborativas para que a tecnologia se torne parceira, e deixe o pensamento crítico da ameaça ao emprego.” (Royalty-free/iStock/Getty Images)
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Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 15h00.
Por Giovanni La Porta*
Com certeza, você já ouviu ou se perguntou se as máquinas vão dominar o mundo, esse comentário circunda gerações, desde a chegada da tecnologia.
E agora, com o avanço da Inteligência Artificial, a pergunta é ainda mais recorrente.
Respire fundo antes de continuar, porque nesse artigo, tenho uma resposta para essa questão.
Não, ninguém está planejando roubar o seu emprego.
Em um experimento recente conduzido pela vortice.ai, através do Deep News, surgiu a provocação que cedo ou tarde bate à porta de todas as empresas:
como funcionaria um negócio inteiro se parte das tarefas passassem a ser executadas por inteligências artificiais especializadas?
E, talvez, a pergunta mais instigante: em qual lugar permanecemos nesse contexto?
O projeto simulado foi uma redação jornalística em que humanos e agentes de IA trabalham em conjunto, cada um contribuindo com o que faz melhor.
A ideia não substituiu pessoas, e sim explorou como a IA pode apoiar o trabalho humano, principalmente assumir tarefas repetitivas.
E abrir espaço para que profissionais se concentrem em atividades mais criativas e estratégicas.
É uma forma de imaginar empresas mais colaborativas para que a tecnologia se torne parceira, e deixe o pensamento crítico da ameaça ao emprego.
Nesse caso, o objetivo não foi automatizar o jornalismo e muito menos imitar o trabalho dos repórteres.
A intenção foi, justamente, entender o que acontece quando humanos e máquinas dividem o mesmo fluxo de produção.
E o resultado saiu como já imaginávamos, a máquina acelera o que já era rápido e o humano aprofunda o que a máquina ainda não “enxerga”.
Ao contrário do que o discurso apocalíptico sugere, projetar uma “empresa sem humanos” escancara justamente a falta que o humano faz.
Agentes de IA conseguem mapear padrões, sugerir decisões, automatizar processos e até produzir conteúdo com coerência.
Mas a curadoria humana (o porquê, o quando, o como e o para quê) continua irremovível.
Digamos que é como ter uma orquestra perfeita sem maestro: a música até sai, mas não tem alma e olhar sensível.
Ferramentas de reflexão avançada, como o próprio Deep Reflection, utilizado para medir a qualidade e consistência das interações entre agentes, permitem observar comportamentos, corrigir e, aprender.
Não é sobre “vender tecnologia”, mas compreender o que acontece quando ela deixa de ser ficção científica e vira prática cotidiana.
Quando falamos em IA nas empresas sem humanos, a questão não é “quando isso vai substituir gente?”, mas “como isso pode libertar pessoas para fazer o que só elas sabem e querem fazer?”.
A certeza de todo esse experimento é que se existir um futuro pós-humano, ele não é uma empresa sem pessoas, é uma empresa onde pessoas e máquinas trabalham juntas.
O Deep News é só o começo e o resto dessa história, como sempre, continua sendo escrito a muitas mãos (humanas).
*Giovanni La Porta é CEO da vortice.ai, empreendedor e especialista em tecnologia com mais de 25 anos de experiência.