Jovens com smartphones: Europa propõe ação coletiva global para aumentar segurança de menores na internet
Colaboradora
Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 15h28.
As iniciativas para restringir o acesso de crianças e adolescentes à internet são vistas por governos europeus como imperfeitas, mas cada vez mais urgentes.
Representantes de países como Espanha, Grécia, Dinamarca, França e Reino Unido têm defendido que medidas emergenciais, como a retirada de perfis de menores de idade de plataformas como TikTok e Instagram, precisam ser aprimoradas, mas descartam qualquer retorno ao modelo anterior, com menos restrições.
Pesquisas de opinião indicam apoio relevante às restrições. Um levantamento do Ipsos mostrou que França e Reino Unido estão entre os países mais favoráveis a limites de idade para redes sociais. Fora da Europa, a Indonésia aparece como o país asiático com maior apoio à adoção desse tipo de regra.
Nos Estados Unidos, onde estão sediadas as principais plataformas digitais do mundo, o debate é mais dividido. Menos de 30% da população considera a internet o maior desafio atual no cuidado com jovens, segundo pesquisas locais.
O presidente Donald Trump se posicionou contra medidas mais duras e chegou a ameaçar retaliações comerciais contra países que adotem multas elevadas, como a aplicada pela Austrália, de até US$ 35 milhões para empresas que permitirem contas de menores de 16 anos.
Diante do avanço regulatório, empresas de tecnologia intensificaram negociações em Bruxelas e em outras capitais europeias.
O argumento central é que as normas de segurança já existentes seriam suficientes e que banimentos amplos não resolvem o problema da confiança entre pais, filhos e plataformas.
A experiência australiana, no entanto, é usada como exemplo pelos defensores das restrições. No primeiro mês após a entrada em vigor da regra, mais de 4,7 milhões de contas foram removidas.
O governo do país afirma que manterá a política mesmo diante de ações judiciais, como a movida pelo Reddit, que se opõe às novas exigências.
No Reino Unido, entrevistas feitas pela BBC mostram resistência entre os próprios jovens. Muitos afirmam que limites de tempo de uso fariam mais sentido do que proibições totais, especialmente para adolescentes abaixo de 14 anos.
Em países onde as restrições já estão em vigor, usuários têm recorrido a softwares que alteram a localização dos dispositivos ou a métodos para burlar a verificação de idade, apontada como o principal desafio técnico das plataformas.
O tema ganhou ainda mais visibilidade recentemente após a Roblox, plataforma de jogos popular entre crianças e adolescentes, enfrentar protestos virtuais ao restringir funções de conversa para usuários mais jovens.
Países como França e Espanha pressionam para que a União Europeia adote uma postura mais firme e coordenada. Uma das propostas em discussão é centralizar a verificação de idade nas lojas de aplicativos, que passariam a compartilhar essa informação com as plataformas, reduzindo a necessidade de checagens individuais em cada serviço.
O embate evidencia um consenso crescente entre governos: mesmo incompletas, as restrições à presença de menores nas redes sociais tendem a se tornar mais rígidas, não mais brandas, nos próximos anos.