Crise da covid-19 volta a ameaçar vida e negócios de milhões de mulheres

Mais impactadas pelo cenário da pandemia, mulheres veem sob risco suas empresas, que muitas vezes sustentam a casa inteira

Em meados do ano passado, quando pensávamos passar pelo ápice da crise da covid-19 — e que, portanto, deixaríamos para trás toda a pandemia em questão de meses —, resolvemos realizar uma pesquisa para entender o impacto que o vírus havia causado nos negócios da mulher empreendedora no Brasil. Os resultados não eram alentadores, embora tivéssemos a falsa esperança de que, a partir daquele momento, as coisas melhorariam.

Os primeiros dados do estudo mostravam que 47% dos negócios continuavam funcionando com significativa queda nas vendas, ante 39% que haviam fechado totalmente as portas. Na Região Nordeste do país, os números eram mais preocupantes: 50% dos empreendimentos femininos haviam desaparecido, sendo esse percentual maior (62%) nas classes D e E.

Além de prejudicar o faturamento e fechar empresas, a pandemia também impactou negativamente a geração de renda direta e o emprego. Se antes da pandemia, 51% dos negócios empregavam pelo menos uma pessoa, durante a crise esse número caiu para 33%. Em números totais, as empresas que mantinham empregados, antes da pandemia, contratavam, em média, 3,7 profissionais. Durante a covid, 2,6 pessoas eram empregadas.

Para termos uma ideia mais concreta de como a crise afeta a vida das mulheres empreendedoras e de suas famílias, basta ressaltar um fato concreto: 38% dos negócios representam mais da metade ou toda a renda familiar. Isso quer dizer que, atualmente, temos uma séria crise, não apenas sanitária mas também social e econômica, onde a principal preocupação é levar comida para a mesa em segurança.

Divido estes dados e informações colhidas em 2020 pois, presidindo uma organização que busca a independência econômica das mulheres, tenho percebido que não só a pandemia se agravou, como também as condições de milhões de mães, avós, esposas, companheiras, filhas e irmãs: jornada contínua de trabalho, com as tarefas domésticas e com o próprio negócio (ou qualquer outra atividade profissional remunerada); crescimento da violência doméstica e do feminicídio; estresse; dívidas em geral.

Soluções para mitigar esses problemas existem. Na Rede Mulher Empreendedora temos desenvolvido diversos programas com esse objetivo, de capacitações técnicas a mentorias individuais, preparando milhares de mulheres para o empreendedorismo e apoiando na busca de recolocação profissional. Temos, inclusive, desenvolvido uma tecnologia social própria para a geração de renda, beneficiando até o momento mais de 6.000 mulheres em todo o Brasil.

Sabemos que nossas iniciativas isoladas não são suficientes. Mas ainda acreditamos que ações coordenadas entre órgãos públicos, civis e privados podem amenizar o impacto deste momento. Basta boa vontade e cooperação.

*Ana Fontes é fundadora e presidente da Rede e do Instituto Rede Mulher Empreendedora

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