Repórter
Publicado em 13 de agosto de 2026 às 08h09.
Última atualização em 13 de agosto de 2026 às 08h31.
Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal investigam, entre outros alvos, o advogado Nelson Willians na Operação Arena, segundo apurado pela EXAME. A ação cumpre 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados e apura suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro envolvendo empresas do setor de bets.
A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 1 bilhão. As ordens são cumpridas em 14 endereços na Paraíba, Sergipe, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.
Segundo a investigação, o grupo teria criado uma estrutura de empresas no Brasil e no exterior para ocultar a origem dos recursos e dar aparência de legalidade às operações. Embora parte das empresas estivesse registrada fora do país, a gestão operacional, administrativa e financeira ocorreria, em tese, em território nacional.
Willians é conhecido nas redes sociais e tem mais de um milhão de seguidores no Instagram. Em outra operação, realizada no fim de julho, o advogado também foi alvo de mandados de busca e apreensão em sua casa e no escritório da NWADV.
Em nota divulgada na ocasião, Willians afirmou que havia “celebrado instrumentos contratuais no âmbito de uma parceria profissional relacionada a operações de transferência de saldo credor de ICMS do Estado de São Paulo” e que a parceria foi encerrada em 2024.
O advogado também foi citado no relatório da CPMI do INSS, que investiga fraudes e descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Willians aparece entre os 216 nomes incluídos na lista final de indiciados, apresentada em março de 2026 pelo relator da comissão, Alfredo Gaspar (União-AL).
De acordo com a Receita Federal, empresas constituídas no exterior eram usadas para justificar elevadas remessas internacionais de dinheiro, apesar de não apresentarem atividade econômica compatível com os valores movimentados.
Os investigadores afirmam que o grupo utilizava uma rede de empresas nacionais e estrangeiras, instituições de pagamento, operações de câmbio, ativos digitais e outras estruturas financeiras para dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos.
A apuração também aponta indícios de omissão de rendimentos e do uso de estruturas empresariais para reduzir ou evitar, de forma irregular, o pagamento de tributos. Segundo os órgãos responsáveis pela operação, parte das atividades teria ocorrido antes da regulamentação do mercado de apostas de quota fixa no Brasil.
A Justiça autorizou a apreensão de bens e valores até o limite aproximado de R$ 1 bilhão, montante que corresponde à estimativa dos recursos supostamente envolvidos nos crimes investigados.
A Receita Federal participa da operação com 40 auditores-fiscais e analistas-tributários, responsáveis pela coleta de provas para a apuração de possíveis infrações tributárias, penais e administrativas envolvendo pessoas físicas e jurídicas investigadas.
A Receita Federal informou que passou a atuar na investigação em 2025, por meio de equipes especializadas em fraudes estruturadas, planejamento tributário abusivo, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
Segundo o órgão, as informações produzidas durante a apuração ajudaram a aprofundar as investigações e embasaram as medidas judiciais cumpridas nesta fase da Operação Arena. Os materiais apreendidos serão analisados e poderão subsidiar futuras autuações fiscais e o compartilhamento de informações com outros órgãos de controle.