Escritórios precisam ser pensados como espaços de cuidado, onde arquitetura, cores e conforto contribuem para o bem-estar (fizkes/Shutterstock)
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Publicado em 30 de setembro de 2026 às 15h00.
Por Fábio Humberg, Diretor de Comunicação e Relações Institucionais da ABRAFATI.
A relação entre as pessoas e o espaço corporativo passa por uma de suas revisões mais profundas.
À medida que a presença física volta a ser a norma, a verdadeira questão que se impõe às lideranças vai além da frequência dos crachás na catraca: trata-se da qualidade da experiência oferecida da porta para dentro.
Afinal, em um país que registrou mais de 546 mil afastamentos por incapacidade temporária associados à saúde mental, segundo dados do Ministério da Previdência Social, o ambiente físico de trabalho não pode ser neutro: ele deve proporcionar bem-estar, conforto e aconchego, e não se tornar um fator de desgaste.
A urgência desse debate motivou a recente atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir das empresas a gestão ativa dos riscos psicossociais.
Essa diretriz ganha ainda mais relevância diante do descompasso entre a obrigatoriedade do presencial e o desejo de muitos profissionais.
Pesquisa da WeWork em parceria com a Offerwise, de maio passado, revela que, embora 63% dos trabalhadores atuem presencialmente, apenas 42% escolheriam esse modelo de forma espontânea.
A discrepância expõe um desafio central de atratividade, porque, para quem passa no escritório a maior parte do seu dia, o ambiente precisa oferecer mais do que uma estação de trabalho.
Precisa oferecer acolhimento.
A construção desse espaço protetor envolve liderança, metas equilibradas e cultura organizacional, mas passa inevitavelmente pela dimensão física.
A forma como os escritórios são planejados, iluminados, decorados e percebidos comunica, de maneira silenciosa e contínua, o grau de cuidado da empresa com a sua equipe.
É nesse contexto que a percepção visual assume um papel relevante.
A pintura permite renovar ambientes, alterar a percepção de luminosidade e profundidade, criar zonas de uso e atualizar a identidade dos escritórios.
Essa flexibilidade é importante em um cenário de adaptação dos espaços corporativos: empresas podem requalificar ambientes existentes por meio de intervenções graduais, acompanhando mudanças de layout e novas formas de trabalho, combinando transformação visual, funcionalidade e identidade com diferentes níveis de investimento.
A atualização da NR-1 pode ser vista por alguns como simples exigência burocrática.
Mas podemos enxergá-la como um convite à reflexão sobre a arquitetura do cuidado.
É nesse ponto que a cor e os efeitos decorativos proporcionados pelas tintas deixam o papel de mero acabamento e assumem protagonismo estratégico.
Transformar visualmente o local de trabalho é reconhecer que a expectativa sobre esse espaço mudou.
Se queremos que o retorno ao presencial seja encarado de forma saudável, e não como uma imposição (ou até mesmo um castigo), precisamos construir ambientes que acolham, protejam e façam sentido para quem passa longos períodos neles.