BBB21 termina, mas ficam as lições trazidas pelo blockbuster

O mais longo BBB da série, com cem dias, deixa um rastro que amenizou as dores e tensões do país, e há análise para todo gosto

Hoje termina o Big Brother Brasil 21, o reality show que há 21 anos centraliza os bate-bocas de norte a sul do Brasil e garante relevância para a Globo em entretenimento. 

Um blockbuster, sem dúvida. E se sabemos que haverá um vencedor dentre os três que ainda estão dentro da casa, aqui fora, também há um mundo de informação e comportamentos em torno do  BBB21 que precisamos trazer para a luz. Esta edição será lembrada para sempre como um dos campeões de audiência da série em um país que, no mesmo período, se viu assolado por um dos momentos mais críticos da história da humanidade: a pandemia do coronavírus. Não seria incorreto dizer que este BBB21 é o emblema que espelha com muita clareza estes dias sombrios. 

Na parte temática houve embates sobre racismo, transfobia,  homofobia, assédio e saúde mental. Muito além das fofocas do dia a dia.

Sabemos que conteúdos de entretenimento estão entre os mais acessados em todas as plataformas de comunicação neste pouco mais de um ano de covid-19. A grande válvula de escape para as pessoas que levaram a sério a recomendação de ficar em casa e não aglomerar.

O sucesso das  lives de cantores se reiventando em seus modelos de show é um bom exemplo. O streaming teve um crescimento impressionante. A Netflix  registrou em  2020 o maior ganho de assinantes de sua história. Mais de 37 milhões de assi

nantes, crescimento de 31% em relação a 2019. E ultrapassou a marca de 200 milhões de clientes em todo o mundo. A empresa não revela, mas analistas contabilizam 17 milhões no Brasil. E o país é um de seus principais mercados.

Nesse contexto é natural que BBB21 fosse um grande expoente e uma opção para respirar longe do looping informativo de grande perda de vidas, atrasos de vacina e o desemprego, para citar três dramáticas situações que foram e estão colocadas ainda no nosso dia a dia.

Com uma dinâmica que valoriza a contradição e a competitividade, parece até um tanto paradoxal, mas o fato é que o BBB21, o mais longo da série com seus cem dias, deixa um rastro que amenizou as dores e tensões do país. Certamente há análise para todo gosto. Mas, voltando ao espectro da comunicação não é possível desprezar o fenômeno e o fôlego da fórmula (que a própria pandemia acabou potencializando como atração).

Veja abaixo uma curadoria de dados sobre BBB21, que vale a pena analisar.

Usuários na página do BBB 21: um levantamento da ComScore mostrou que o volume de pessoas visitando a página do Big Brother Brasil 21 cresceu 519% quando comparado à estreia do ano anterior. Nas redes do BBB, o público passou de 574 mil pessoas para 3,5 milhões de visitantes únicos à página.

Audiência cruzada: em janeiro, a audiência cruzada entre o Twitter, Facebook e Instagram do BBB aumentou 36% nas redes sociais, passando de 16,1 milhões em 2020 para 21,9 milhões em 2021. Os dados são da ComScore. Já as hashtags mais utilizadas foram: #BBB21 e #RedeBBB.

Audiência na TV: em abril o reality completou dois meses de exibição, totalizando 28 pontos de média de audiência em São Paulo. Esse é o melhor resultado do BBB no período, desde a décima edição, que marcou 30 pontos. Os números são da coluna da jornalista Patrícia Kogut. Segundo dados do Ibope, o BBB 21 estreou com 27,4 pontos de audiência em São Paulo. A média é a mais alta desde 2018, que começou com 31 pontos. A atração estreou em 2020 com 25 pontos, e em 2019, com 22.

Menções no Twitter: quando comparada à edição de 2020, as menções do BBB 21 no Twitter cresceram dez vezes. Entre janeiro e fevereiro deste ano, 2,8 milhões de pessoas mencionaram o BBB na rede, com 41,4 milhões de publicações sobre o programa. Os dados são do Buzzmonitor.

Buscas no Google: ainda na terceira semana do programa, o BBB 21 já era o mais buscada da história do reality, segundo dados do Google Trends exclusivos para a coluna da Kogut. A atual edição superou a anterior, que era recorde nas pesquisas. Em fevereiro a pesquisa por “Lucas” dispararam, superando as buscas por Manu Gavassi e por Felipe Prior quando estavam no pico de popularidade em abril de 2020.

Marcas aproveitando a audiência do programa (Facebook): segundo relatório da SocialBakers feito a pedido da EXAME, em janeiro, a PitBull Jeans foi a marca que mais postou conteúdos com “BBB” no Facebook. Os 20 posts podem ser justificados também pela marca ter contratado a ex-bbb Hariany Almeida como garota-propaganda.

Marcas aproveitando a audiência do programa (Instagram): a Avon Brasil foi a campeã de menções ao BBB em janeiro, com dez postagens sobre o tema e mais de 240 mil interações com os conteúdos. A C&A, patrocinadora do reality, aparece em segundo lugar com 26 posts e 117 mil interações. Os dados são do relatório da SocialBakers feito a pedido da EXAME.

Marcas x BBB: quem teve uma chuva de menções nas redes após a ação da Coca-Cola ser exibida no BBB 21 foi a Pepsi. Entrar na conversa sobre o programa é tão atual e relevante que o time de marketing do Twitter Brasil tem até um documento com dicas para fazer sucesso aproveitando o buzz do reality.

Sentimentos dos telespectadores: em pesquisa realizada pela Hibou, empresa de monitoramento de consumo, foram mapeados quais sentimentos as pessoas sentem ao assistir o BBB 21. Dos 52% dos telespectadores, 86% já sentiram emoções negativas fortes em duas semanas de programa. Raiva, tristeza, preconceito, humilhação, indignação, nojo, repúdio e falta de empatia foram as emoções mais comuns sentidas pelos brasileiros.

Por que o brasileiro assiste BBB:avançando na pesquisa da Hibou, os dados mostraram que mesmo com o programa fazendo trazendo à tona sentimentos negativos dos telespectadores, ainda assim o reality show proporciona entretenimento. Para metade dos entrevistados, o que chama mais atenção é que eles podem acompanhar o comportamento dos participantes.

Redes dos participantes: Juliette é uma sensação. Dados de 27 de abril mostram que, de todos os comentários, likes e compartilhamentos recebidos pelos participantes, 30% são concentrados nos perfis da sister. No dia 21 de janeiro, ela tinha 146.349 seguidores no Instagram e em 04 de abril já soma 23,7 milhões de seguidores.

Outro dado perceptível foi que o público deixa claro as suas preferências através do unfollow. Sarah Andrade, por exemplo, deu declarações controversas sobre a pandemia e sobre política, o que fez com que ela perdesse 2 milhões de seguidores em duas semanas. A cantora Karol Conká também perdeu vários seguidores por conta de suas atitudes. Na primeira semana de fevereiro, quando brigou com Lucas, ela perdeu 500 mil seguidores. Os dados são da Socialbakers, que analisou o Instagram e o Twitter dos brothers e sisters entre 19 de janeiro a 27 de março. O Instagram foi o canal favorito dos que acompanham o reality, com 74,5% das interações. O Twitter contabilizou 25,5% das interações.

*Alexandre Loures e Flávio Castro são sócios da FSB Comunicação

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