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Ageless: IA e biotecnologia podem provocar o fim do envelhecimento

Relatório aponta que a medicina deixará de ser reativa para tornar o envelhecimento uma variável gerenciável por software biológico

Relatório aponta que a inteligência artificial e a biotecnologia transformarão o envelhecimento em uma variável gerenciável até 2035 (Tatiana Maksimova/Getty Images)

Relatório aponta que a inteligência artificial e a biotecnologia transformarão o envelhecimento em uma variável gerenciável até 2035 (Tatiana Maksimova/Getty Images)

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Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 15h00.

Por Mauro Wainstock*

O relatório “Metatrend #4: Longevity, Medicine & Biotechnology (2035 Vision)” apresenta uma tese ousada: até 2035, o envelhecimento deixa de ser um destino biológico inevitável para os seres humanos.

Ele passa a ser uma variável gerenciável, ajustada em tempo real, como se fosse um software biológico.

Será possível? Assustador ou fascinante?

A seguir, os principais pontos, números e previsões do estudo sobre longevidade.

A vida redefinida

O documento descreve situações que hoje parecem ficção, mas podem se tornar realidade em breve:

  • Criança de 6 anos: nasce com uma doença genética rara, eliminada ainda no útero ou em estágio embrionário, por meio do CRISPR. A técnica funciona como uma “tesoura molecular” capaz de cortar e corrigir trechos do DNA. Expectativa de vida: mais de 120 anos.
  • Paciente de 27 anos com AVC: recupera movimentos em poucos dias graças às BCIs (Interfaces Cérebro-Computador). Elas conectam o cérebro diretamente a computadores e próteses, sem depender de músculos ou fala.
  • Atleta de 38 anos: vive com um coração bioimpresso e biologicamente otimizado, correndo triatlos com frequência cardíaca de repouso de apenas 37 BPM, sem precisar de medicamentos.
  • Pessoa de 102 anos: pratica yoga e consome chá nutrigenômico ajustado à sua idade biológica. Sua saúde é acompanhada por nanosensores em tempo real.

A medicina deixa de reagir a doenças e passa a antecipá-las, monitorando milhares de biomarcadores de forma contínua.

A virada econômica da saúde

Esse movimento marca uma mudança estrutural no modelo econômico da saúde. O foco passa a ser a extensão da vida ativa:

  • 2019: 61% dos gastos em tratamento e cuidado; 39% em prevenção e bem-estar.
  • 2040 (projeção): 83% em prevenção e bem-estar; apenas 17% em tratamento.

Por outro lado, os custos biotecnológicos despencam: a inteligência artificial (IA) pode reduzir significativamente as despesas.

Estima-se uma redução de até 95% em determinadas etapas, acelerando a chegada de novos medicamentos ao mercado.

  • 2024: desenvolver um fármaco custa em média US$ 2,4 bilhões, com 7,5 falhas em testes clínicos.
  • Com IA (projeção): cerca de US$ 130 milhões na fase pré-clínica, tempo de comercialização reduzido para 8 anos e menos falhas graças a simulações em gêmeos digitais.
  • Sequenciamento de DNA: de US$ 1 bilhão em 2001 para menos de US$ 1 por genoma até 2030.
  • Tempo de análise de um genoma humano: de 180 dias em 2001 para menos de 10 minutos em 2024.

Os principais pilares tecnológicos da longevidade

O relatório cita avanços da biotecnologia cada vez mais comuns no nosso dia a dia:

  • Monitoramento multi-ômico em tempo real: sensores que acompanham genes, proteínas e metabolismo continuamente.
  • Motores de terapia mRNA e epigenética: ajustes de expressão genética sob demanda.
  • Reprogramação celular parcial segura: reversão do envelhecimento sem perder identidade celular.
  • Gêmeos digitais simulados por IA: modelos virtuais para testar terapias antes da aplicação real.
  • Bioprinting corporal e organoides inteligentes: órgãos cultivados sob medida, sem filas de transplante.
  • Agentes autônomos de saúde por IA: copilotos digitais disponíveis 24 horas por dia.
  • Nanorrobótica intracelular: reparos moleculares e reforço imunológico.
  • Bibliotecas de fármacos de longevidade por IA: design de compostos protetores simulados por algoritmos.
  • Bioreatores vestíveis auto-regenerativos: patches que produzem nutrientes e hormônios sem pílulas.
  • CRISPR 4.0: edição genética segura e multiplexada dentro do corpo.

Novos mercados bilionários

A economia da longevidade abre espaço para novas iniciativas:

  • LaaS (Longevity-as-a-Service): assinaturas mensais com terapias de reversão da idade e acesso ao gêmeo digital.
  • pHOS (Personal Health Operating Systems): sistemas operacionais pessoais de saúde.
  • Farmácias bioreator domésticas: dispositivos que produzem medicamentos personalizados em casa.
  • Coaches de longevidade por IA: avatares que orientam estilo de vida e performance.
  • Seguros BioAge: prêmios baseados na idade biológica, não cronológica.
  • Ensaios clínicos simulados em gêmeos digitais: garantias de eficácia antes da aplicação real.
  • Skinwear inteligente: roupas que diagnosticam e liberam terapias pela pele.
  • Pacotes de fertilidade & genômica: serviços de edição genética para futuros pais.
  • Marketplaces de “OrganSwap”: mercados digitais de órgãos biofabricados e otimizados.
  • Aceleradores de aposentadoria biotecnológica: comunidades voltadas para reversão da idade e propósito.

O lado sombrio da abundância

Apesar do otimismo, o documento alerta para sérios desafios:

  • Desigualdade de acesso: risco de surgimento de “elites da longevidade”.
  • Hiper-otimização do corpo: risco de perda da diversidade da experiência humana.
  • Discriminação genética e eugenia: limites cada vez mais imprecisos entre tratar doenças e aprimorar capacidades.
  • Privacidade e bio-vigilância: coleta massiva de dados biológicos explorada por governos e empresas.
  • Longevidade sem significado: risco de alienação e depressão em centenários saudáveis, mas sem propósito.

Pirâmide populacional global

Projeções até 2100 mostram aumento significativo da população acima de 100 anos, redefinindo a estrutura demográfica mundial.

Isso cria novos mercados para longevidade, bem-estar e produtividade estendida.

O relatório projeta um futuro em que envelhecer será opcional e a saúde continuamente otimizada por IA, biotecnologia e sensores.

O impacto econômico é gigantesco: redução de custos de terapias, aumento da produtividade com octogenários ativos e criação de novos mercados bilionários.

Mas os riscos éticos e sociais são igualmente profundos: desigualdade, vigilância biológica e a necessidade de redefinir o propósito humano em uma era de abundância.

A longevidade não será apenas uma questão de tecnologia, mas de significado humano.

O desafio não é estar vivo até os 120 anos, mas viver plenamente em todas as etapas da vida, com ética, propósito e autonomia.

*Mauro Wainstock é palestrante e consultor sobre Turnover e Comunicação Intergeracional. Foi eleito o 10º influenciador Mundial em Diversidade e inclusão, nomeado TOP RH influencer América Latina e LinkedIn TOP VOICE (3 selos). É membro do Instituto Brasileiro de ESG, da Diversity Board e de 5 conselhos empresariais, além de mentor de executivos, professor da ESPM (RJ/SP) e coautor de inúmeros livros (11 lançados em 2025).

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