Mercado de luxo vê consumidor ditar tendências para 2026. Interesse está mais em experiências que exclusividade (Vippers/Divulgação)
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Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 07h00.
Se outrora o mercado de luxo se concentrava apenas no conceito de possuir, agora, o comportamento do consumidor está levando o setor à criação de experiências e ofertas que levam em conta o vivenciar.
O que as marcas do mercado de luxo precisam saber? Jaroslaw Piasecki, fundador da Vippers, plataforma de mobilidade premium resume a partir da própria experiência:
“Hoje, o consumidor valoriza como a marca se conecta com o seu estilo de vida. As marcas que insistem apenas em tradição ou ostentação correm o risco de parecer desconectadas. O novo luxo é mais humano, mais próximo e muito mais relevante”.
Para 2026, o empresário polones avalia algumas tendências que serão consequência direta do comportamento do consumidor do mercado de luxo.
Viagens sob medida, hospitalidade de alto padrão, bem-estar, mobilidade premium e eventos exclusivos se tornam formas legítimas de consumo de luxo.
Viver bem, com conforto e autenticidade, passa a ser mais desejável do que acumular bens.Esse movimento é ainda mais forte entre Millennials e Geração Z, que devem responder por cerca de 75% do consumo global de luxo até 2030, segundo dados do Altagamma. “A experiência cria vínculo emocional, constrói memória e fideliza”, comenta Piasecki .
Não se trata mais de ajustes superficiais, mas de propostas pensadas a partir do estilo de vida, dos hábitos e das preferências individuais.
O luxo padronizado perde espaço para soluções que parecem feitas sob medida. Ferramentas como inteligência artificial, dados comportamentais e experiências imersivas permitem jornadas cada vez mais sob medida.
“Personalizar não é apenas adaptar um detalhe, é compreender o estilo de vida do cliente e antecipar suas necessidades”, diz Piasecki.
Nesse contexto, explica o dono da Vippers, a digitalização passa a atuar como uma ferramenta estratégica de relacionamento.
Estudos da McKinsey mostram que clientes de alto padrão que utilizam canais digitais integrados gastam, em média, 20% a 40% mais do que aqueles que têm uma experiência fragmentada.
Recursos como recomendações inteligentes, curadorias personalizadas e experiências digitais imersivas ampliam o contato com a marca e qualificam a tomada de decisão, sem substituir o atendimento humano.
“O digital não elimina o toque pessoal, ele potencializa. Quando bem usado, torna o luxo mais próximo e relevante”.
O comportamento mais seletivo do consumidor também pressiona as marcas de luxo a reverem suas estratégias de preço.
Após anos de reajustes agressivos, cresce a exigência por coerência entre valor cobrado e entrega criativa.
“O cliente aceita pagar caro, mas exige consistência. Preço alto sem narrativa, qualidade e experiência já não se sustenta. Essa percepção tem levado o setor de luxo a desacelerar aumentos e a reforçar linhas icônicas e produtos de entrada”, conclui Piasecki.