Foodtechs tem alto potencial para avanço nos próximos anos (Typcal/Divulgação)
Plataforma de conteúdo
Publicado em 15 de abril de 2026 às 13h00.
Com as foodtechs, a biotecnologia na alimentação deixou de ser promessa e virou prioridade estratégica global. O desafio agora é escalar a inovação com competitividade – desafio este que terá pelo menos 4 pontos de virada.
Segundo a McKinsey & Company, no relatório “Ingredients for the Future”, o principal gargalo está na infraestrutura produtiva: a capacidade de fermentação ainda é limitada e exige alto investimento e especialização.
O potencial, porém, é bilionário, proteínas por fermentação podem representar 4% da produção global até 2050, movimentando de US$ 100 a 150 bilhões ao ano.
Para Paulo Ibri, CEO da Typcal, primeira foodtech da América Latina a trabalhar com fermentação de micélios, o setor vive seu momento mais decisivo.
“O desafio não é mais provar que a tecnologia funciona em laboratório, mas demonstrar eficiência, previsibilidade de custos e competitividade em escala industrial”, afirma o CEO.
Na avaliação do executivo, a consolidação das foodtechs dependerá menos da inovação conceitual e mais da capacidade de estruturar operações industriais robustas e financeiramente sustentáveis.
A seguir, ele aponta quatro fatores determinantes para essa nova fase.
A ausência de estruturas industriais voltadas para bioprocessos em larga escala ainda limita o crescimento do setor. Muitos bioreatores disponíveis foram concebidos para a indústria farmacêutica, com estrutura de custos incompatível com as margens e volumes característicos da indústria de alimentos.
“Não basta ampliar capacidade. É preciso redesenhar a infraestrutura para torná-la economicamente viável para alimentos de grande escala. A lógica da indústria alimentícia exige volume, eficiência e padronização”, destaca Ibri.
A transição do laboratório para a produção industrial continua sendo um dos pontos mais sensíveis da jornada das foodtechs. Sem acesso a plantas piloto e infraestrutura intermediária, torna-se difícil validar custos reais, comprovar produtividade e oferecer previsibilidade financeira ao mercado.
“Muitas startups conseguem provar conceito em bancada, mas enfrentam dificuldades na hora de operar em escala industrial. Esse é o momento mais crítico da jornada, porque é onde a tecnologia precisa demonstrar viabilidade econômica”, explica.
Após um período de forte fluxo de investimentos no setor, o capital tornou-se mais seletivo. Hoje, investidores priorizam empresas que apresentem clareza sobre unidade econômica, eficiência produtiva e capacidade real de escalar.
“O investidor quer saber qual é o custo por tonelada, qual é a margem projetada e como aquela operação se sustenta no longo prazo. Tecnologia sozinha não sustenta crescimento; eficiência sustenta”, afirma o executivo.
A expansão da fermentação também depende de uma cadeia estruturada de insumos estratégicos, como meios de cultura, substratos e matérias-primas específicas. A disponibilidade e previsibilidade desses insumos impactam diretamente o custo final e a competitividade frente às proteínas convencionais.
“Infraestrutura não é apenas planta industrial. É garantir acesso contínuo e previsível a insumos críticos. Sem isso, a escala perde consistência e o crescimento fica vulnerável”, pontua.
“A próxima fronteira da foodtech é estrutural. Quem resolver infraestrutura, eficiência produtiva e escala vai liderar a transformação do sistema alimentar global. Quem não resolver isso, simplesmente não vai competir”, conclui o executivo.