Dilma reeleita, greve dos caminheiros e facada de Bolsonaro: a reação das estatais na bolsa em eventos que definiram eleições (Ilustração / Arte / Divulgação/Exame)
Editor de Invest
Publicado em 2 de outubro de 2026 às 05h00.
Última atualização em 2 de outubro de 2026 às 17h01.
Em anos de eleição presidencial, poucas ações reagem tanto ao noticiário político quanto as das estatais. É o que mostra a mais recente Carta do Estrategista da Eleven Financial, assinada por Fernando Siqueira, head de research da casa, a poucos dias do primeiro turno, marcado para o próximo domingo, 4.
O relatório compara o desempenho das estatais em relação ao Ibovespa nos anos eleitorais de 2014, 2018 e 2022. Nos três ciclos, o grupo funcionou como o principal termômetro da disputa, com oscilações muito mais intensas do que as do índice.
Para fazer essa comparação, a Eleven usa um indicador que divide o desempenho das estatais pelo do Ibovespa. Para que os três anos possam ser comparados, o indicador parte sempre de 100 pontos em janeiro e mostra apenas o que aconteceu ao longo daquele ano eleitoral. Quando ele está acima de 100, as estatais acumulam desempenho melhor que o do índice no ano; abaixo de 100, estão perdendo para ele.
Um patamar de 130 pontos, por exemplo, significa que o grupo está cerca de 30% à frente do Ibovespa desde o início do ano.
Em 2018, o gráfico da Eleven registra dois movimentos marcantes. Em maio, a greve dos caminhoneiros e o avanço de Ciro Gomes nas pesquisas derrubaram as estatais de cerca de 130 pontos para perto de 95. Em setembro, a facada em Jair Bolsonaro abriu caminho para a maior alta da série, e o indicador chegou perto de 140 pontos em outubro.
Em 2014, o caminho foi o inverso. As estatais chegaram a acumular um desempenho cerca de 18% superior ao do Ibovespa ao longo do ano, mas desabaram depois da eleição de outubro, que terminou com a reeleição de Dilma Rousseff. Em dezembro, o indicador estava pouco acima de 70 pontos, o pior patamar entre as três eleições analisadas.
Em 2022, o desenho se pareceu mais com o de 2014. As estatais rodaram acima do índice até outubro e perderam força depois do segundo turno, terminando o ano abaixo de 90 pontos.
Neste ano, segundo a Eleven, o efeito da eleição sobre os preços tem sido mais lento do que nos ciclos anteriores, quando costumava ganhar força a partir de março. Ainda assim, houve episódios de reação, como o anúncio da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com a disputa apertada, a casa espera que a maior volatilidade fique para depois da votação. Veja como Petrobras e Banco do Brasil chegam à reta final da eleição.
As pesquisas citadas pela Eleven mostram Lula (PT) com cerca de 40% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro (PL) com cerca de 38%, um empate técnico nos agregadores. Para a casa, os investidores vão olhar menos para quem fica em primeiro lugar e mais para a diferença entre o resultado das urnas e o que as pesquisas indicavam.
Se Lula superar os cerca de 40% apontados nas pesquisas, a tendência é que ele passe a ser visto como o grande favorito. O mesmo vale para Flávio, caso ele supere a faixa de 37% a 38%. Se o erro das pesquisas estiver nos candidatos da chamada terceira via, como Zema, Caiado e Renan, a Eleven entende que a leitura também deve favorecer Flávio, já que, segundo diversas pesquisas, cerca de dois terços desses votos migrariam para ele no segundo turno.
Entre as estatais, a Eleven aponta o Banco do Brasil (BBAS3) como o nome mais exposto ao resultado da eleição, por causa dos resultados fracos dos últimos trimestres. A Petrobras também é sensível ao ciclo político, mas, segundo o relatório, os resultados fortes recentes e os preços elevados do petróleo devem reduzir o impacto da eleição sobre a ação.
Além das estatais, a Eleven aponta outro grupo muito sensível ao ciclo eleitoral, o das empresas mais endividadas. A lógica passa pelos juros. Companhias com dívida elevada gastam uma parte maior do resultado com despesas financeiras, e por isso são as que mais ganham quando os juros caem e as que mais sofrem quando eles sobem. Segundo o relatório, os investidores vêm evitando esses papéis por causa do cenário de juros altos e crescimento baixo, e sinais de uma virada na economia tendem a favorecê-los.
No IBrX-100, as empresas mais alavancadas se concentram no setor de transportes, com nomes como Simpar, Ecorodovias e Vamos, além de frigoríficos e construtoras. No setor elétrico, Equatorial e Energisa são as mais endividadas; no varejo, o destaque é o Assaí; na educação, a Anima. Segundo a Eleven, boa parte desses nomes já é conhecida como alavancada tanto por quem investe em ações quanto por quem compra crédito privado.
Na outra ponta estão as empresas com pouca dívida, como as de shoppings e telecom e a Ambev. Por depender menos do comportamento dos juros, elas funcionam como ações mais defensivas e tendem a se sair melhor quando o mercado reage mal a um resultado eleitoral.
A Eleven não associa seus cenários a um candidato específico. O que define cada um é a forma como o mercado vai reagir ao resultado das urnas. Se a votação animar os investidores, o sinal mais claro deve vir do câmbio, com valorização do real, acompanhado de expectativa de queda dos juros e de melhora da economia. Nesse caso, a casa espera melhor desempenho de empresas cíclicas, endividadas e estatais. As indicações são:
Se o resultado assustar o mercado, a Eleven espera que os investidores corram para ativos dolarizados e para empresas pouco sensíveis ao ciclo econômico brasileiro. A preferência recai sobre exportadoras, que ganham com a desvalorização do real, e sobre empresas defensivas e pouco endividadas:
Fora da bolsa, a Eleven vê fundos imobiliários e renda fixa prefixada como os ativos com melhor desempenho caso o mercado reaja bem ao resultado. Na renda fixa, a vantagem é dos títulos de maior duration, como as NTN-Bs e o Tesouro Renda+, que, segundo a casa, é o título com maior potencial de valorização se os juros caírem. Debêntures prefixadas, LCIs e LCAs também aparecem como alternativas. Para quem prefere ETFs, a casa cita o XP Trend IFIX (XFIX11), o It Now IRFM (IDKA11), o Investo IPCA+ (NTNS11) e o Tesouro Renda+ 2065.
Se a reação for de aversão ao risco, as melhores opções seriam os títulos pós-fixados, como as LFTs, e os ativos dolarizados, incluindo dólar, S&P 500, ouro e criptoativos. Entre os ETFs, a Eleven lista o XP MSCI World (ACWI11), o Galapagos Selic (POSB11), o Global X T-Bill (TBIL39) e o Buena Vista Ouro & Bitcoin (GBTC39).
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