São pequenos os erros de gestão que podem levar restaurantes à falência
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Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 13h00.
Dá trabalho abrir uma unidade ou franquia de restaurante. Quem viu ou ouviu falar do famoso reality “Pesadelo na Cozinha” sabe ou tem pelo menos uma noção de que as operações deste segmento são complexas e os erros podem ser muito sutis.
Tão sutis que 50% desses estabelecimentos chegam à falência antes do segundo ano – segundo o IBGE. Mas por mais que empreender com restaurantes seja difícil, corrigir erros de gestão não é. Para começar, basta conhecê-los.
Quanto mais o empreendedor souber sobre os riscos, melhor poderá administrar sua unidade de rede ou franquia de restaurantes. Maurício Galhardo, sócio da F360, plataforma de gestão financeira para redes varejistas e franquias, indica um ponto de partida:
“O grande risco é que muitos gestores olham apenas para o faturamento e deixam de acompanhar indicadores financeiros essenciais. Pequenos erros recorrentes acabam se acumulando e gerando impactos relevantes no resultado”.
Compras excessivas, falta de padronização entre unidades e ausência de controle sobre validade dos produtos aumentam o desperdício e afetam diretamente o caixa.
“Sem dados consolidados, o gestor não consegue saber exatamente quanto está perdendo com sobras, desvios ou compras mal planejadas”, diz Galhardo.
Custos operacionais são fator crítico. Precisam ser bem monitoradas as taxas de aplicativos de delivery, horas extras, comissões e retrabalho.
De acordo com o especialista, a falta de integração entre sistemas do salão, delivery e financeiro dificulta a visualização real da rentabilidade de cada canal.
Muitas vezes, o restaurante vende mais, mas lucra menos, justamente por não enxergar o custo total da operação.
Abrir novas unidades sem uma análise financeira detalhada pode gerar desequilíbrios no fluxo de caixa e comprometer a saúde da rede como um todo.
A gestão da rede de restaurantes precisa ficar atenta, pois este erro é fácil de cometer em meio à empolgação de um momento de expansão.
“Crescer sem controle financeiro é um dos caminhos mais rápidos para transformar faturamento em prejuízo”, alerta o executivo.
Para evitar as perdas, Galhardo recomenda centralizar a gestão financeira, integrar todos os canais de venda e acompanhar indicadores em tempo real.
“Quando o gestor tem uma visão clara e unificada do negócio, consegue identificar gargalos rapidamente, corrigir rotas e tomar decisões mais estratégicas”.
Segundo ele, a tecnologia tem papel fundamental nesse processo, ao automatizar controles, reduzir erros manuais e oferecer dados confiáveis para a tomada de decisão do empreendedor que se arrisca em um restaurante, seja franquia ou rede.
“Hoje, quem não usa tecnologia para gerir finanças está, na prática, abrindo mão de eficiência e margem”, conclui.