Os candidatos Jair Bolsonaro (PL), Padre Kelmon (PTB), Luiz Felipe D’Ávila (NOVO), Soraya Thronicke (União Brasil), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Simone Tebet (MDB) e Ciro Gomes (PDT) no estúdio da TV Globo. (Globo/Fabio Rocha/Divulgação)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 1 de outubro de 2026 às 20h47.
Última atualização em 1 de outubro de 2026 às 20h55.
A TV Globo cancelou o debate presidencial que seria realizado na noite desta quinta-feira, 1º. A decisão foi anunciada após liminares do TSE e do STF alterarem regras sobre candidatos ausentes e a relação de participantes. Segundo a emissora, as decisões tomadas horas antes do programa causaram "insegurança jurídica".
A TV Globo anunciou na noite desta quinta-feira, 1º, o cancelamento do último debate entre os candidatos à Presidência antes do primeiro turno das eleições 2026.
A emissora afirmou que decidiu cancelar o encontro após decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) alterarem regras do programa poucas horas antes de sua realização.
O debate estava marcado para as 21h30, logo após o Jornal Nacional. No horário, a Globo informou que exibirá um capítulo inédito da novela "Quem Ama Cuida".
Em nota, a emissora afirmou que as decisões judiciais causaram "insegurança jurídica" e representam, na avaliação da empresa, "uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais".
As duas decisões tratam de pontos diferentes. A ministra Estela Aranha, do TSE, suspendeu uma regra sobre o tratamento dado a candidatos ausentes. Já o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a participação de Renan Santos (Missão) no encontro.
Com as decisões, a Globo teria de alterar tanto a dinâmica prevista para candidatos ausentes quanto a relação de participantes do debate.O senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou a desistência da participação no encontro após as duas decisões judiciais.
Segundo a emissora, duas notificações recebidas na noite desta quinta-feira interferiram nas regras previamente estabelecidas para o encontro.
A Globo afirmou que tem "longa tradição na organização de debates eleitorais" e que o objetivo dos encontros é permitir a discussão de ideias e a comparação de projetos pelos eleitores.
"Nosso dever é o de promover a democracia, mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais", afirmou a emissora.
Essa é a posição da Globo sobre as decisões. As duas liminares foram proferidas por autoridades de tribunais diferentes e trataram de questões distintas relacionadas às regras e aos participantes do encontro.
A primeira decisão citada pela Globo foi proferida pela ministra Estela Aranha, do TSE, após um pedido da coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. Lula havia sido convidado para o debate, mas decidiu não participar.
As regras acordadas para o encontro estabeleciam que, em caso de ausência, o espaço reservado ao candidato seria mantido vazio no cenário e identificado com seu nome.
O regulamento também previa que, em uma das rodadas de tema livre, os candidatos presentes poderiam formular, em 30 segundos, uma pergunta que fariam ao presidenciável ausente.
Estela suspendeu a eficácia dessa regra. A ministra determinou que a Globo não fizesse a "exibição destacada da cadeira vazia identificada" nem aplicasse a dinâmica de perguntas dirigidas ao candidato ausente.
Na decisão, a ministra considerou, em análise preliminar, que a regra poderia gerar desequilíbrio entre as candidaturas e funcionar como uma forma de pressionar candidatos a participar do encontro, apesar de a presença em debates ser facultativa.
A liminar é provisória e deverá ser submetida ao plenário do TSE.
A segunda decisão citada pela Globo foi proferida pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, após um pedido do Solidariedade relacionado à participação de Renan Santos.
Gilmar determinou que o candidato do Missão fosse incluído no debate. Segundo a nota da Globo, o partido de Renan possui um parlamentar no Congresso Nacional.
A Lei das Eleições estabelece critérios de representação parlamentar para definir quais candidaturas têm participação assegurada nos debates promovidos por emissoras de rádio e televisão.
Com base no critério adotado inicialmente, a Globo havia convidado Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Lula.
A decisão de Gilmar Mendes obrigaria a emissora a incluir Renan Santos no encontro poucas horas antes do horário previsto para o início do debate.A lista original de convidados já havia sido modificada por outra decisão judicial nesta semana.
Na terça-feira, 29, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou que Romeu Zema (Novo) tivesse direito de participar do debate.
Segundo a Globo, a decisão alterou o entendimento utilizado para a contagem da representação parlamentar exigida para participação nos encontros.
Assim, em um intervalo de dois dias, decisões judiciais modificaram a lista de participantes e, horas antes da transmissão, a dinâmica prevista para candidatos que não comparecessem.
Antes do anúncio do cancelamento pela Globo, Flávio Bolsonaro havia informado que também não participaria do encontro.
O senador atribuiu a decisão à liminar de Estela Aranha sobre as regras para candidatos ausentes e classificou a determinação do TSE como "censura".
"Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE. A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas. Em breve mais detalhes", escreveu Flávio no X.
A expressão "censura" representa a avaliação de Flávio sobre a decisão. Na liminar, Estela afirmou que a medida tinha como objetivo preservar a isonomia entre as candidaturas e a regularidade do processo eleitoral.
A Globo recebeu há pouco duas notificações relacionadas à realização do debate presidencial programado para esta noite, que interferem nas regras previamente acordadas, e decidiu por seu cancelamento.
A primeira é assinada pela ministra Stella Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral, e atende a um pedido da coligação da candidatura de Lula, do PT, à Presidência do Brasil. A decisão torna inválido o item das regras do debate que trata de candidatos ausentes. A ata com as regras, assinada por todos os partidos, inclusive o PT, determina que, em caso de ausência do candidato, o púlpito reservado a ele seja mantido vazio no cenário, com uma placa que o identifique. E que, numa das rodadas de tema livre do debate, os candidatos presentes que assim desejarem formulem, em trinta segundos, o que fariam ao candidato que não compareceu. A decisão da ministra Stella Aranha proíbe o púlpito com o nome de Lula e a formulação das perguntas que seriam feitas a ele.
A segunda notificação recebida pela Globo esta noite é de uma decisão proferida pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, e atende a um pedido feito pelo partido Solidariedade a respeito da participação no debate de Renan Santos, do Missão. As regras que estabelecem que candidatos devem ser obrigatoriamente convidados para debates em rádio e TV são determinadas por lei e reguladas por portaria do Tribunal Superior Eleitoral: devem ser convidados obrigatoriamente os candidatos de partidos com representação de pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional. Em atendimento a essa regra, a Globo convidou para o debate os candidatos: Augusto Cury, do Avante; Flavio Bolsonaro, do PL; Ronaldo Caiado, do PSD; e Lula, do PT.
Uma outra decisão, do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, na terça-feira, alterou entendimento do próprio TSE na contagem de parlamentares no Congresso para fins de debate e decidiu que Romeu Zema, do Novo, teria direito de participar do debate. E a decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, proferida há pouco, determinou a participação do candidato Renan Santos no debate, mesmo o Missão, partido de Renan, tendo apenas um parlamentar no Congresso Nacional.
A Globo tem longa tradição na organização de debates eleitorais. Nosso propósito é promover a discussão de ideias para o Brasil e oferecer aos eleitores a oportunidade de comparar projetos. Nosso dever é o de promover a democracia, mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais. Por essa razão, a Globo decidiu cancelar o debate desta noite. No horário, será exibido o capítulo inédito da novela Quem Ama Cuida.
Sim. A Globo anunciou na noite desta quinta-feira, 1º, o cancelamento do debate presidencial que estava marcado para as 21h30.
A emissora atribuiu a decisão a liminares do TSE e do STF que alteraram regras sobre candidatos ausentes e a relação de participantes poucas horas antes do encontro. A Globo afirmou que as decisões causaram "insegurança jurídica".
A ministra Estela Aranha suspendeu a regra que previa a exibição destacada do lugar identificado do candidato ausente e perguntas dirigidas a ele durante o debate.
O ministro Gilmar Mendes determinou a participação de Renan Santos, candidato do Missão, no debate.
Flávio estava entre os participantes previstos, mas anunciou sua desistência antes de a Globo comunicar o cancelamento do programa.
A emissora informou que exibirá um capítulo inédito da novela "Quem Ama Cuida".