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Super El Niño pode aumentar dengue em 2027, indicam projeções

Relatório elaborado por 130 especialistas de oito países para o Ministério da Saúde indica alta em Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais

Super El Niño pode aumentar dengue em 2027, mas efeito ainda é incerto (Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr)

Super El Niño pode aumentar dengue em 2027, mas efeito ainda é incerto (Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr)

Yasmim Faria
Yasmim Faria

Colaboradora

Publicado em 8 de novembro de 2026 às 11h47.

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O Brasil pode registrar cerca de 860 mil casos prováveis de dengue em 2027, segundo projeções apresentadas nesta sexta-feira, 6, por Fiocruz, FGV, Mosqlimate e InfoDengue, entre outros. Especialistas de vários países participaram de um desafio de previsão que combinou múltiplos modelos para estimar números de casos. Apesar da incerteza sobre o impacto exato do El Niño, há alerta para necessidade de preparação e prevenção intensificada.

O super El Niño previsto para o verão pode aumentar o risco de dengue em algumas regiões do Brasil em 2027, mas o tamanho desse efeito ainda é incerto.

A avaliação consta nas projeções apresentadas nesta sexta-feira, 6, no webinário Preparação para a temporada de dengue 2027, promovido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), pela Fundação Getulio Vargas (FGV), pelo Mosqlimate e pelo InfoDengue, entre outros.

O relatório foi elaborado por 130 especialistas de oito países para o Ministério da Saúde.

A estimativa principal é de cerca de 860 mil casos prováveis de dengue na próxima temporada, com intervalo de incerteza de 80% entre 560 mil e 1,6 milhão de casos e pico de 40 mil casos em abril de 2027. O número, porém, não leva em conta diretamente os efeitos do El Niño.

O que dizem os modelos sobre o El Niño

Neste ano, três modelos utilizam variáveis climáticas, e os resultados divergem tanto na magnitude do efeito quanto na distribuição geográfica. Alguns projetam mais casos em determinadas regiões, enquanto outros indicam impacto menor.

No Sul, os modelos que consideram o fenômeno apontam de forma mais consistente para uma temporada maior do que a da projeção principal. Nas demais regiões, o quadro é mais incerto.

Por isso, segundo os pesquisadores, o El Niño deve ser tratado como gatilho de contingência no planejamento, com acompanhamento por modelos de curto prazo, e não como base quantitativa para calcular os casos no país.

Calor e umidade podem favorecer a reprodução do Aedes aegypti, mosquito que transmite dengue, zika e chikungunya. O efeito sobre os casos, no entanto, depende também das condições locais, da população suscetível e das ações de controle.

Como as projeções foram feitas

Os números vêm do Desafio de Previsão de Dengue InfoDengue–Mosqlimate (IMDC), que reúne pesquisadores de diferentes países para projetar a evolução da doença de forma aberta e comparável. Todas as equipes usam os mesmos dados e as mesmas regras. Na terceira edição, o desafio teve 27 equipes de oito países.

A projeção final combina 22 modelos desenvolvidos por mais de 130 pesquisadores, o que tende a ser mais confiável do que qualquer modelo isolado.

"Em três edições, o desafio cresceu de um punhado de equipes para uma comunidade global que trabalha de forma aberta para transformar dados de dengue em previsões que gestores de saúde pública possam realmente usar", avalia Flávio C. Coelho, pesquisador da FGV e do Mosqlimate, à Agência Brasil.

Cenário não é de tranquilidade

A dengue é endêmica no Brasil, e o país registrou cerca de 1,66 milhão de casos prováveis em 2025, segundo o Ministério da Saúde.

"As projeções não apontam uma epidemia como a de 2024 [ano com um aumento atípico de casos], mas indicam que a dengue continuará exigindo atenção. É o momento de organizar a rede e intensificar a prevenção", afirma Claudia Codeço, pesquisadora da Fiocruz e coordenadora do InfoDengue, à Agência Brasil.

Estados com tendência de alta

O modelo indica aumento dos casos prováveis de dengue, em relação à temporada anterior, em Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais.

Nos demais estados, o cenário é próximo ou inferior ao anterior. Ainda assim, todos devem manter a vigilância epidemiológica, já que um super El Niño pode favorecer condições climáticas associadas a transmissão mais intensa em algumas regiões.

Chikungunya

Desde 2026, o trabalho inclui projeções de chikungunya, doença também transmitida pelo Aedes aegypti e que pode causar febre e dores intensas nas articulações. A partir de 11 modelos, a estimativa é de mais de 90 mil casos prováveis no país. Na temporada 2024-25, foram 127 mil casos, e na de 2025-26, 76 mil.

Há previsão de aumento no Nordeste, principalmente em Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Paraíba, Sergipe e Piauí. A alta também é esperada nos três estados do Sul, em São Paulo e, no Centro-Oeste, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que tem a maior incidência da doença no país.

Nos demais estados, o cenário é próximo ao anterior. O Espírito Santo ficou de fora das projeções por inconsistências nos dados de notificação.

Prevenção

A prevenção segue como principal forma de reduzir os casos de dengue e chikungunya. A orientação é eliminar água parada em vasos, pneus, calhas e recipientes e procurar atendimento ao primeiro sinal de febre, dor no corpo ou manchas na pele. Segundo os pesquisadores, as projeções não substituem a vigilância de rotina, mas ajudam gestores a se antecipar.

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