Brasil

STF retoma julgamento sobre foro privilegiado com divergência de ministros

Os ministros têm duas visões em torno do tema e o receio de que um novo pedido de vista (mais tempo para análise) interrompa novamente o debate

STF: o julgamento será retomado com o voto do ministro Dias Toffoli, que pediu vista em novembro do ano passado (Rosinei Coutinho/SCO/STF/Agência Brasil)

STF: o julgamento será retomado com o voto do ministro Dias Toffoli, que pediu vista em novembro do ano passado (Rosinei Coutinho/SCO/STF/Agência Brasil)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 2 de maio de 2018 às 08h26.

Brasília - O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta quarta-feira, 2, o julgamento sobre a restrição do foro privilegiado para deputados federais e senadores, com a oposição de duas visões em torno do tema e o receio de integrantes da Corte de que um novo pedido de vista (mais tempo para análise) interrompa novamente o debate.

Até agora, sete ministros já concordaram com a tese de Luís Roberto Barroso, de que o foro deve ser limitado aos crimes praticados no exercício do mandato e em função do cargo. Já Alexandre de Moraes concordou com a restrição, mas em menor extensão.

Para Moraes, a prerrogativa deveria valer para crimes cometidos a partir da diplomação dos parlamentares, independentemente de terem relação ou não com o cargo.

O julgamento do foro será retomado com o voto do ministro Dias Toffoli, que pediu vista em novembro do ano passado. Segundo a reportagem apurou, ele deverá acompanhar a tese de Moraes, considerada mais objetiva e com um marco temporal mais delimitado que a de Barroso.

Um dos receios de integrantes do STF ouvidos pela reportagem é de que a proposta de Barroso dê margem a múltiplas interpretações. Há casos de políticos investigados na Suprema Corte por terem recebido caixa 2 na campanha eleitoral - antes, portanto, de assumir o mandato, o que dificultaria o entendimento se o processo se enquadra ou não na tese de Barroso.

Toffoli já sinalizou a interlocutores que a restrição do foro deveria valer não apenas para deputados federais e senadores, mas para outros cargos.

O ministro também questionou se legislações estaduais podem dar prerrogativa a autoridades locais, como procuradores. Além de Toffoli, ainda não votaram os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Acompanhe tudo sobre:Câmara dos DeputadosSenadoSupremo Tribunal Federal (STF)Congresso

Mais de Brasil

Defesa Civil de SP instala gabinete de crise após chuvas de perigo extremo

Eleição para governo de Minas tem indefinição de nomes e pressão de Lula

Metade dos brasileiros acha 'boa ideia' ter filhos no Brasil, diz estudo

Inmet emite alerta vermelho para chuvas em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo