Brasil

STF derruba decisão de Mendonça sobre prorrogação da CPI do INSS

Placar final foi de 8 votos a 2 contra a prorrogação da comissão

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 26 de março de 2026 às 18h00.

Última atualização em 26 de março de 2026 às 21h19.

Tudo sobreSupremo Tribunal Federal (STF)
Saiba mais

O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta quinta-feira, 26, invalidar a decisão do ministro André Mendonça, que autorizava a prorrogação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O placar final foi de 8 votos a 2 contra a prorrogação.

Na sequência da votação, o ministro Flávio Dino apresentou divergência em relação ao relator e foi acompanhado por Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli. O ministro Luiz Fux manteve alinhamento com o relator.

O ministro André Mendonça defendeu a continuidade dos trabalhos da comissão, ao citar um “roubo de bilhões de reais” relacionado ao caso. Segundo o magistrado, os beneficiários afetados, descritos como “os mais vulneráveis da nossa sociedade”, que sofreram descontos associativos sem autorização, devem receber do Congresso Nacional uma resposta sobre a responsabilização política dos envolvidos nas fraudes.

Nesta terça-feira, 23, o ministro André Mendonça estabeleceu prazo para que o Congresso Nacional adote medidas que viabilizem a prorrogação do funcionamento da comissão. A decisão individual ainda será analisada pelo plenário do STF.

O ministro atua como relator de uma ação protocolada pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente do colegiado, pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator da comissão, e pelo deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), integrante do grupo.

Como foi a votação?

Em seu voto, Mendonça afirmou que a imposição de entraves ao funcionamento das comissões parlamentares de inquérito pode resultar no encerramento dos prazos sem a realização efetiva das investigações.

"Se criam obstáculos de impedimentos, de leituras de requerimentos, de aprovação de requerimentos, até que se esgote o prazo e depois não se prorrogue", declarou. O ministro acrescentou que, sem a prorrogação, "um caso que envolve roubo de bilhões de reais dos mais vulneráveis da nossa sociedade" não teria resposta institucional.

Durante o voto do ministro Flávio Dino, ao abordar os limites do poder investigativo, o ministro Gilmar Mendes solicitou a palavra e criticou a realização de quebras de sigilo sem fundamentação jurídica.

"Isto é ilegal. É ilegal e os senhores sabem que é ilegal", afirmou. O ministro também declarou que tais práticas são inconstitucionais e criticou a divulgação de informações sigilosas. Em seguida, o ministro Alexandre de Moraes acompanhou a manifestação, ao classificar a conduta como criminosa.

Já o ministro Gilmar Mendes mencionou um episódio envolvendo o caso Vorcaro, ao citar o vazamento de uma conversa privada. Em resposta, Mendonça afirmou que medidas foram adotadas para conter vazamentos e que esse tipo de prática compromete o andamento das investigações. Gilmar reforçou a crítica ao declarar que "quem vaza não quer investigar".

Pressão sobre o Congresso

No início da semana, o ministro André Mendonça determinou a prorrogação da CPI e estabeleceu prazo de 48 horas para que o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, realizasse a leitura do requerimento.

Com o vencimento do prazo nesta manhã, a comissão passou a ter base para seguir prorrogada, independentemente da leitura formal.

Nos bastidores da comissão, integrantes relataram desconforto com a condução de Alcolumbre, que optou por não ler o requerimento e adotou postura de cautela, condicionando o avanço da CPI ao julgamento do Supremo. O presidente do Senado consultou a assessoria jurídica da Casa e recebeu orientação para não recorrer neste momento, aguardando a decisão do plenário.

*Com informações da Agência O Globo. 

Acompanhe tudo sobre:Supremo Tribunal Federal (STF)André MendonçaINSS

Mais de Brasil

Eleição direta ou indireta no RJ: o que dizem Fux e Zanin?

Real Time Big Data: Lula tem 56% e Flávio, 32% no segundo turno em Pernambuco

Senado avança PEC que reduz jornada da enfermagem para 36 horas