Senado recebe Mourão em meio à pressão crescente sobre desmatamento

Desde o início do ano, Mourão preside o Conselho Nacional da Amazônia Legal, e não tem conseguido bons resultados
 (Romério Cunha/VPR/Flickr)
(Romério Cunha/VPR/Flickr)
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João Pedro Caleiro

Publicado em 14/07/2020 às 06:47.

Última atualização em 14/07/2020 às 06:50.

Hamilton Mourão estará nos holofotes nesta terça-feira (14). O vice-presidente será ouvido, a partir das 16 horas, em uma audiência por videoconferência no Senado sobre o desmatamento da Amazônia.

O convite é antigo, mas ganhou relevância com a pressão nacional e internacional crescente diante dos números alarmantes da área ambiental no governo Bolsonaro. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento na Amazônia brasileira teve uma máxima de 11 anos em 2019.

Desde o início do ano, Mourão preside o Conselho Nacional da Amazônia Legal, que responde por ações de preservação e também faz a gestão do Fundo Amazônia, que recebe recursos de empresas e outros países para este fim.

Sua gestão não entregou, por enquanto, resultados positivos. Em junho, por exemplo, as queimadas na Amazônia tiveram o maior índice para o mês nos últimos 13 anos, também segundo o Inpe.

Recentemente, um grupo de quase 30 fundos de investimento que gerenciam US$ 3,7 trilhões em ativos ameaçou desinvestir do país se não houvesse freio ao desmatamento.

Na semana passada, o mesmo apelo veio em uma carta direcionada a Mourão dos CEOs de empresas como Ambev, Bradesco, Cosan, Itaú, Klabin, Natura, Santander, Shell e Suzano.

A crise ameaça o setor de agronegócio, um dos mais resilientes da economia nacional, e vai deixando cada vez mais distante a perspectiva de aprovação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia.

O governo admite piora na “imagem” e culpa críticos internos e pressões protecionistas, mas resiste a mudanças mais profundas - ou óbvias. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, segue no cargo.