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Renda das mulheres volta a crescer, mostra estudo

Ganhos da população feminina aumentam três vezes mais do que o do homens no segundo trimestre em comparação a mesmo período de 2020, mostra Ipea

Embora a taxa de desocupação das mulheres ainda seja maior do que a do homens, a renda do contingente feminino da força de trabalho começa a dar sinais de recuperação, segundo um estudo do Instituto Econômico de Pesquisa Aplicada (Ipea) realizado com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), lançado nesta sexta, 17.

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No segundo trimestre deste ano, o rendimento efetivo das mulheres, que soma todos os ganhos (inclusive acréscimos extraordinários como bonificações e auxílio emergencial), foi 1,4% superior ao do mesmo período do ano passado, em um crescimento contínuo nos últimos 12 meses. “Como esse grupo tem forte presença entre os informais e foram alguns dos mais afetados pela pandemia, é algo positivo que haja essa recuperação da renda nesse recorte por gênero”, diz o economista Sandro Sacchet de Carvalho, técnico de planejamento e pesquisa na Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea.

Mesmo assim, ainda falta chão para a retomada dos níveis de renda das mulheres no período anterior à pandemia: a taxa de desocupação no segundo trimestre ficou em 17,1% para as trabalhadoras, bem maior do que os 11,7% registrados em relação aos homens.

 (Exame/Exame)

No mundo todo, as mulheres perderam 800 bilhões de dólares na pandemia, de acordo com um estudo da Oxfam, com o fechamento de 5% dos postos de trabalho que ocupavam. No caso dos homens, essa porcentagem foi de 3,9%. No Brasil, apenas no terceiro trimestre de 2020 cerca de 8,5 milhões de mulheres deixaram a força de trabalho, segundo o IBGE. No período, mais da metade da população feminina com mais de 14 anos ficou fora do mercado de trabalho.

Faixa etária

O recorte por faixa etária mostra que os mais jovens têm mais facilidade em recuperar a renda, os profissionais com um nível avançado de carreira ainda têm patinado para retomar os níveis de rendimento do período anterior à pandemia.

 (Exame/Exame)

Os ganhos dos brasileiros com idade entre 24 e 39 anos vêm caindo desde o primeiro trimestre de 2020 na comparação anual. No primeiro trimestre deste ano, a queda de rendimentos dessa faixa etária foi de 7,7% em relação ao mesmo período ao ano passado. O tombo diminuiu para 3,2% entre abril e junho deste ano, mas mesmo assim é considerado alto. ‘Estamos observando uma lenta recuperação do mercado de trabalho”, diz Sacchet. “A expectativa, no entanto, é de uma normalização com a redução do desemprego, embora o patamar de desocupação ainda sejam mais alto do que o observado nos últimos dois anos”.

Uma sinalização positiva é a queda gradual do número de domicílios sem renda proveniente do trabalho. No segundo trimestre do ano passado, no auge da pandemia, 31,5% dos domicílios não tinham nenhum rendimento proveniente de atividades profissionais – nos primeiros três meses deste ano, o índice caiu para 29,3% e, no último trimestre, ficou em 28,5%, em trajetória de queda.

Dificilmente, no entanto, deverá chegar ao final do ano próximo aos valores de 2019, de 23%. “Essa porcentagem vem aumentando gradativamente desde 2015, por causa da crise econômica”, diz Sacchet. “É bom sinal que esteja diminuindo, mas não deve cair tanto a ponto de atingir patamares semelhantes ao nível pré pandemia”.

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