Alckmin: atual vice-presidente defende equilíbrio fiscal, controle do endividamento e maior eficiência dos gastos administrativos (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter
Publicado em 25 de outubro de 2026 às 06h00.
O vice-presidente Geraldo Alckmin é cotado para assumir o Ministério da Fazenda, pasta econômica federal, em 2027, em uma eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Médico e político há mais de cinco décadas, Alckmin governou São Paulo por quatro mandatos e atuou no Executivo federal. Hoje, Dario Durigan comanda a Fazenda.
Atual vice-presidente da República e ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin acumula uma carreira política de mais de cinco décadas, com passagens pelo Legislativo, quatro mandatos à frente do governo de São Paulo e atuação no Executivo federal.
Nos bastidores, há a expectativa de que Alckmin seja um dos nomes cotados para o Ministério da Fazenda em 2027, em uma eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já que reúne experiência na gestão pública e interlocução com o setor produtivo. As informações são da Folha de S. Paulo.
Atualmente, o ministro da Fazenda é Dario Durigan, que assumiu a pasta em março até o fim do mandato de Lula, após a saída de Fernando Haddad para disputar o governo de São Paulo.
Médico de formação, Alckmin nasceu em 1952, em Pindamonhangaba, no interior paulista. Formou-se pela Universidade de Taubaté (Unitau) e especializou-se em Anestesiologia. Entrou na política aos 20 anos, pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), quando foi eleito vereador de sua cidade natal, em 1972. Quatro anos depois, assumiu a prefeitura do município.
Em 1982, chegou à Assembleia Legislativa de São Paulo como deputado estadual. Em 1986, foi eleito deputado federal constituinte e participou da elaboração da Constituição Federal de 1988. No mesmo ano, integrou o grupo que fundou o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), legenda à qual permaneceu filiado por mais de três décadas.
A consolidação de sua carreira ocorreu em São Paulo. Em 1994, foi eleito vice-governador na chapa de Mário Covas. Com a morte do então governador, em março de 2001, assumiu o comando do estado e foi reeleito em 2002. Voltou ao Palácio dos Bandeirantes após vencer as eleições de 2010 e conquistou um novo mandato em 2014.
Alckmin também disputou a Presidência da República duas vezes pelo PSDB. Em 2006, chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Lula. Em 2018, terminou a disputa em quarto lugar, na eleição vencida por Jair Bolsonaro (PL).
Alckmin ao lado do presidente Lula - Foto: EVARISTO SA/AFP (Evaristo Sá/AFP)
A trajetória política de Alckmin mudou em dezembro de 2021, quando deixou o PSDB. Em março do ano seguinte, filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) para compor, como vice, a chapa presidencial de Lula. A aliança aproximou dois políticos que haviam sido adversários em eleições presidenciais.
Eleito em outubro de 2022, após a derrota de Bolsonaro, Alckmin tomou posse como vice-presidente em 1º de janeiro de 2023. Na mesma data, assumiu o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), acumulando as duas funções.
À frente da pasta, atuou na interlocução do governo com o setor produtivo e na articulação de políticas voltadas à indústria e ao comércio exterior.
Antes disso, também havia coordenado a equipe de transição do governo federal. Em 2026, deixou o ministério para se dedicar à campanha eleitoral e voltou a integrar, pelo PSB, a chapa de Lula à reeleição como candidato a vice-presidente.
A Constituição não impede que o vice-presidente acumule o cargo com o de ministro de Estado. O próprio Alckmin já exerceu simultaneamente as duas funções durante o terceiro mandato de Lula.
Uma das principais bandeiras econômicas de Alckmin é a chamada neoindustrialização, estratégia que busca modernizar a indústria brasileira e aumentar sua capacidade de produzir bens de maior complexidade tecnológica.
A proposta envolve investimentos em inovação, digitalização dos processos produtivos, tecnologias associadas à Indústria 4.0 e biotecnologia. A transição energética também ocupa espaço nessa agenda, com a defesa de uma indústria que combine competitividade e sustentabilidade.
Alckmin argumenta que o Brasil tem vantagens competitivas na economia de baixo carbono. A estratégia prevê aproveitar essas condições para fortalecer a produção industrial e ampliar oportunidades relacionadas à transição energética e à redução das emissões.
Na área fiscal, Alckmin defende o equilíbrio das contas públicas e o controle do endividamento. A responsabilidade fiscal é tratada como condição para conter a inflação e criar espaço para a redução das taxas de juros.
Sua agenda também inclui medidas para combater desperdícios na administração pública, reduzir privilégios no setor público e aumentar a eficiência dos gastos administrativos.
Essas posições podem favorecer sua interlocução com setores que cobram maior controle das despesas governamentais. A condução da política fiscal, porém, depende das decisões do governo e da articulação com o Congresso Nacional.
A simplificação do sistema tributário é outro ponto central da agenda econômica de Alckmin. Ele defende mudanças capazes de reduzir a cumulatividade dos impostos, diminuir custos para as empresas e estimular investimentos e exportações.
A proposta está associada à redução do chamado custo Brasil, expressão que reúne entraves tributários, burocráticos e estruturais que encarecem a produção nacional.
Alckmin também apoia a desburocratização de processos e o fortalecimento da segurança jurídica como formas de atrair investimentos nacionais e estrangeiros. A intenção é reduzir obstáculos à atividade empresarial e tornar o ambiente de negócios mais previsível.
No comércio internacional, Alckmin defende uma ampliação da presença brasileira em mercados externos, com acordos comerciais e fortalecimento de parcerias regionais. Entre as iniciativas dessa agenda está o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
A estratégia também busca estimular a exportação de produtos com maior valor agregado, de modo a ampliar a participação da indústria brasileira no comércio exterior.
Para financiar a modernização produtiva e apoiar as empresas, Alckmin defende instrumentos de fomento, como linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) voltadas à inovação e garantias para exportações.
O investimento privado é considerado um dos motores do crescimento econômico em sua agenda. Nesse contexto, concessões e parcerias público-privadas (PPPs) aparecem como alternativas para viabilizar projetos de infraestrutura e ampliar a participação de empresas na execução de investimentos.
A combinação entre política industrial, responsabilidade fiscal, simplificação tributária e estímulo ao investimento privado compõe as principais diretrizes econômicas associadas a Alckmin. Uma eventual indicação para comandar a economia em 2027, no entanto, dependeria das decisões políticas e da composição do próximo governo.
Geraldo Alckmin é o atual vice-presidente da República, médico e político com mais de cinco décadas de carreira. Alckmin foi vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal constituinte, governador de São Paulo por quatro mandatos e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Geraldo Alckmin é cotado nos bastidores por reunir experiência na gestão pública e capacidade de interlocução com o setor produtivo. Uma eventual indicação dependeria da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e da composição do próximo governo.
Dario Durigan é o atual ministro da Fazenda e assumiu o cargo até o fim do mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Durigan substituiu Fernando Haddad, que deixou a pasta para disputar o governo de São Paulo.
A agenda econômica de Geraldo Alckmin combina neoindustrialização, inovação tecnológica, responsabilidade fiscal, simplificação tributária e estímulo ao investimento privado. Alckmin também defende a expansão do comércio exterior e a redução dos entraves que compõem o chamado custo Brasil.
Geraldo Alckmin defende equilíbrio fiscal, controle do endividamento e maior eficiência dos gastos administrativos. Para Alckmin, a responsabilidade fiscal ajuda a conter a inflação e abre espaço para a redução das taxas de juros.
A neoindustrialização busca modernizar a indústria brasileira e ampliar a produção de bens com maior complexidade tecnológica. A estratégia defendida por Geraldo Alckmin inclui inovação, digitalização, Indústria 4.0, biotecnologia e transição energética.