Milei: presidente argentino criticou Lula e Alexandre de Moraes durante evento do PL que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência. (Nelson Almeida/AFP)
Repórter
Publicado em 27 de julho de 2026 às 12h01.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reagiu às declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, durante a convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência e classificou o líder argentino como "palhaço".
O Durigan afirmou que Milei tenta criticar o Brasil enquanto enfrenta indicadores econômicos piores em seu próprio país.
"O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou de Brasil quando o risco país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito maior e a inflação muito mais alta. Não dá para entrar na onda dessas pessoas que dizem que vai virar apocalipse", disse em entrevista à Rádio Jornal.
As declarações ocorrem após Milei participar, no último sábado, da convenção nacional do PL, em São Paulo. No evento, o presidente argentino fez críticas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, associou o Foro de São Paulo ao avanço do socialismo na América Latina e afirmou que o Brasil ainda pode evitar "as consequências mais profundas" desse modelo.
O argentino também direcionou ataques ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, chamando-o de "lixo careca" após a negativa de um pedido de visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na entrevista, o ministro da Fazenda afirmou que os indicadores econômicos brasileiros são mais sólidos do que os da Argentina e disse que o governo continuará focado na agenda econômica, sem responder ao discurso político de Milei.
"O Brasil está em uma situação muito melhor. Isso não significa que todos os problemas estejam resolvidos. Os juros altos ainda afetam famílias, empresas e produtores rurais, além de aumentarem o custo da dívida pública. É algo que nos incomoda e que precisa ser enfrentado", afirmou.
No domingo, o Itamaraty convocou o embaixador da Argentina em Brasília para manifestar a "repulsa" do governo brasileiro pelos ataques feitos pelo presidente argentino durante sua visita ao país.
*Com O Globo