“Privatizações não ameaçam soberania nacional”, diz Etchegoyen

Ministro-chefe do gabinete de Segurança Institucional falou com exclusividade a EXAME.com sobre as privatizações

São Paulo – O general Sérgio Westphalen Etchegoyen, ministro-chefe do gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, defendeu o programa de privatizações do governo de Michel Temer em entrevista exclusiva a EXAME.com.

“A preocupação com a soberania nacional é o começo do discurso que levou ao nosso déficit de infraestrutura. As privatizações não ameaçam a soberania nacional, e abordar a questão por esse ponto sempre acaba travando os projetos”, argumenta o general.

“Se a cada iniciativa nós formos acrescentando novos limites, não vamos conseguir recuperar nosso déficit de infraestrutura”, afirma Etchegoyen.

Questionado sobre o risco de entregar a infraestrutura do setor elétrico majoritariamente nas mãos de empresas chinesas, o general afirma que o interesse delas é um bom sinal.

“As empresas chinesas não vão tirar daqui as linhas de transmissão e levar para a China”, brincou. “Nós temos urgência em superar o déficit do setor elétrico e, se os chineses quiserem ajudar, eles serão mais que bem-vindos”.

Em relação às áreas mais sensíveis da segurança nacional, as regiões de fronteira, o general afirmou que a existência de assentimento prévio (uma autorização específica concedida para utilização das terras em áreas de fronteira) garante que não haja abusos.

“Desideologizar” o desenvolvimento

Em pronunciamento durante o 15º Fórum Latino-Americano de Liderança Estratégica em Infraestrutura, o general Etchegoyen defendeu a “desideologização” dos assuntos importantes para o Brasil.

“O desenvolvimento da infraestrutura ficou travado por várias razões. Uma delas, que me parece essencial, é a ideologização do conceito do desenvolvimento da infraestrutura nacional. Um grande passo que se dá é exatamente entender que existe o mundo real, com fenômenos sociais, econômicos, demandas, interesses, pessoas e todas as suas circunstâncias aos quais as ideologias não respondem”, disse Etchegoyen.

“Passamos muito tempo discutindo as ideologias sem conseguir dar o passo para prover a sociedade de suas necessidades, para diminuir a desigualdade social. A vida real superou as ideologias, basta ver os chineses”, defendeu.

“O projeto nacional precisa preservar a soberania, mas precisa atender ao interesse das pessoas”.