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Possível terceira vaga para o Senado embaralha xadrez eleitoral em SC

TSE pautou para a sessão da próxima terça-feira (10/2) o julgamento do processo de cassação do mandato do senador Jorge Seif (PL/SC) e a decisão, caso se confirme, deverá impactar nas alianças, e candidaturas

Caroline De Toni, Carlos Bolsonaro e Esperidiãp Amin são pré-candidatos ao Senado Federal por SC (Arte EXAME/Reprodução)

Caroline De Toni, Carlos Bolsonaro e Esperidiãp Amin são pré-candidatos ao Senado Federal por SC (Arte EXAME/Reprodução)

Rafael Martini
Rafael Martini

Editor da Região Sul

Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 16h39.

Última atualização em 6 de fevereiro de 2026 às 19h54.

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A política catarinense entrou em modo de atenção máxima. A possibilidade de retomada e conclusão, no próximo dia 10, do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode levar à cassação do senador Jorge Seif (PL-SC) não colocou em suspense apenas o destino de um mandato, como provocou novos cálculos e articulações para as eleições de 2026 em Santa Catarina.

Em jogo, além das duas vagas regulares ao Senado, está a hipótese concreta de abertura de uma terceira cadeira, em caso de cassação por abuso de poder econômico na campanha de 2022.

A indefinição jurídica transformou o processo em uma peça central do jogo eleitoral. Partidos e lideranças passaram a operar com múltiplos cenários, entre manutenção do mandato, cassação com nova eleição suplementar e impactos diretos sobre as chapas majoritárias. Na prática, a disputa começou muito antes do calendário oficial.

O arrasto do processo ao longo de quase quatro anos transformou a decisão judicial em fator de instabilidade política. Para o ex-governador Raimundo Colombo, hoje vice-presidente nacional do PSD, qualquer que seja o desfecho, o prejuízo institucional já está posto.

O entendimento do TSE, a partir de jurisprudência firmada em 2025, é que, em caso de cassação do senador, deverá ocorrer nova eleição específica em até 60 dias. Mas, diante do calendário eleitoral de 2026, a chance de conflitos jurídicos por prazos exíguos é considerável, caso qualquer uma das partes decida recorrer.

“Há interpretações jurídicas segundo as quais não pode existir vacância no Senado, justamente para preservar o funcionamento do sistema político. Quando decisões demoram tanto tempo, criam-se distorções que vão muito além de um mandato específico”, afirmou Colombo.

Até 2025, o entendimento do TSE era de que o candidato derrotado mais bem votado assumiria imediatamente a vaga. Colombo perdeu a eleição ao Senado para Seif por cerca de 40 mil votos em 2022, o que também ajuda a explicar seu interesse direto na causa.

Bênção de Bolsonaro

O aval do ex-presidente passa a pesar diretamente na corrida ao Senado em um estado de maioria conservadora. Nos próximos dias, Carlos Bolsonaro deve apresentar uma carta assinada por Jair Bolsonaro, na qual o ex-presidente reafirma a confiança no filho e na deputada federal Caroline De Toni (sem partido) como os dois nomes indicados para disputar as vagas ao Senado por Santa Catarina.

Apesar da força política da família, ao ser anunciado como pré-candidato, Carlos enfrentou críticas por ser visto como um nome sem vínculo local. Para mitigar essa percepção, a dobradinha com De Toni durante a campanha pelo estado passou a ser tratada como estratégica nos bastidores.

E mesmo após se desfiliar do PL, há alguns dias, De Toni segue respaldada por Bolsonaro e pelo governador Jorginho Mello, sendo tratada como a candidata com um forte potencial de votação.

Sua saída ocorreu após recente movimento do presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, que sinalizava destinar a segunda vaga da chapa para o atual senador Esperidião Amin, da federação União Brasil, por conta do tempo de TV. na campanha.

A deputada mantém conversas com o Partido Novo.

Líder nos indicadores

O governador Jorginho Mello segue liderando com vantagem as pesquisas eleitorais. Em entrevista à EXAME, nesta sexta-feira, defendeu a união da direita para assegurar a continuidade do modelo que explica os bons resultados do Estado.

Santa Catarina é um estado que funciona. Lidera indicadores, entrega resultados e mantém estabilidade”, afirmou. Sobre a chapa, reforçou: “A entrada de Adriano Silva como vice não é arranjo de bastidor, é sinal claro de rumo político.”

Adriano, do partido Novo, é prefeito de Joinville, o maior colégio eleitoral de Santa Catarina e surfa uma aprovação superior a 70% na sua gestão municipal.

Mesmo que alguns tenham classificado como precipitado o anúncio da chapa com os nomes do o vice e dos dois candidatos ao Senado Jorginho avançou mais uma casa no tabuleiuro, esta semana, ao costurar o apoio dos sete deputados do União Brasil na Assembleia Legislativa à sua candidatura.

Paradoxalmente, seu amplo favoritismo passou a ser visto como ponto vulnerável por adversários. Começou a ganhar corpo as conversas para uma aliança antes improvável entre União Brasil e MDB, tendo o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), como candidato ao governo.

Tal movimento teria força para dividir a direita catarinense. Entre os nomes cogitados para vice de Rodrigues estaria o empresário e deputado estadual Antídio Lunelli (MDB).

Atento a todos estes movimentos, o senador Esperidão Amin, tem reforçado que é pre-candidato à reeleição, por já ocupar uma cadeira no Senado e pela qualidade do seu trabalho. “Meu nome está à disposição, mas não sou eu que decido” comentou.

Nas entrelinhas deixou claro que, caso não tenha espaço na chapa do governador, não descartaria sair como candidato na chapa de Rodrigues. "São duas opções postas à mesa"

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Júlio Garcia (PSD), também é favorável à construção da canditatura de Rodrigues: “Se o João chegar ao segundo turno contra Jorginho, o jogo recomeça. A polarização ainda tem muita força, em especial aqui no Estado, mas também existe um crescente anseio por uma opção de centro-direita”, avaliou.

Oposição atenta

O PT, após levar Décio Lima ao segundo turno em 2022 pela primeira vez no Estado, busca ampliar alianças ao centro, como a aproximação com o ambém ex-presidente da Asembleia, Gelson Merisio. O racha na direita poderia favorecer Décio Lima, que também é pré-candidato ao Senado.

Já o MDB catarinense, que desembarcou recentemente do governo estadual, adiciona ainda mais incertezas ao cenário, mantendo sua tradição  de tomar decisões somente aos 49 minutos do seggundo tempo.

Por ora, o único consenso é que muita água ainda vai passar sob a ponte Hercílio Luz até setembro. E omo diria Magalhães Pinto, “política é como nuvem: você olha, está de um jeito; cinco minutos depois, está de outro.”

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