Brasil

PF combate fraudes em programa habitacional no DF

Servidores públicos, membros de associações e empresários do ramo da construção civil estão envolvidos no esquema


	PF: no total, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão e três de conduções coercitivas
 (Sergio Moraes / Reuters)

PF: no total, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão e três de conduções coercitivas (Sergio Moraes / Reuters)

DR

Da Redação

Publicado em 2 de junho de 2016 às 17h52.

A Polícia Federal (PF) deflagrou hoje (2) a Operação Clã, para investigar suspeitos de cobrar taxas para a concessão de lotes da quarta etapa do Programa Habitacional Riacho Fundo 2, no Distrito Federal.

Servidores públicos, membros de associações e empresários do ramo da construção civil estão envolvidos no esquema.

No total, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão e três de conduções coercitivas. Os suspeitos podem responder por corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.

As investigações da PF foram feitas em conjunto com a então Controladoria-Geral da União, hoje Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle.

O programa, uma parceria entre a União, Distrito Federal e sociedade civil organizada, destina-se à concessão de lotes a famílias necessitadas.

Ele prevê que o terreno da União, com área total de 1.330.460 metros quadrados, fosse dividido em lotes que seriam cedidos gratuitamente a famílias carentes que preenchessem os requisitos.

Os interessados deveriam ser selecionados, segundo critérios objetivos, por associações sem fins lucrativos e posteriormente habilitados pela Secretaria de Habitação, Regularização e Desenvolvimento Urbano do Distrito Federal.

A suspeita é que os responsáveis pela seleção das famílias manipulavam a escolha dos beneficiários, cobrando valores e condicionando o recebimento de terreno à contratação de determinadas construtoras ligadas ao grupo para a realização das obras, tudo com a aparente conivência da direção da secretaria à época.

Segundo o ministério, o programa foi alvo de auditoria em 2014, a partir de denúncia enviada por um cidadão.

“A ação de controle evidenciou diversas fragilidades no processo sob responsabilidade da Secretaria de Patrimônio da União [SPU], que teriam contribuído para a ocorrência de irregularidades específicas na destinação em Riacho Fundo 2. Os fatos apontados no relatório foram aprofundados por cruzamento de dados e outras pesquisas, concluindo-se pela necessidade de atuação em conjunto com o Departamento de Polícia Federal”, informou o ministério.

Outro lado

A Secretaria de Gestão do Território e Habitação (Segeth) e a Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab) informaram, em nota, que não receberam nenhuma notificação sobre a investigação em curso pela Polícia Federal.

A Codhab esclareceu ainda que a quarta etapa do Programa Habitacional Riacho Fundo 2 é de responsabilidade da Associação Pró-Morar do Movimento Vida de Samambaia, resultado de contrato assinado com a SPU em 2006.

Na época, a área foi doada pela então Secretaria de Habitação à entidade. Como contrapartida do governo, foi assinado, em 2013, um convênio para que fossem realizadas as obras de drenagem de águas pluviais e de pavimentação.

A companhia explicou que só poderá se manifestar e tomar as medidas necessárias após ter conhecimento da investigação.

A Codhab esclareceu ainda que finalizou, em maio deste ano, o recadastramento eletrônico de cooperativas e associações, “uma medida necessária para coibir irregularidades nos programas habitacionais.”

Acompanhe tudo sobre:FraudesPolícia Federaldistrito-federal

Mais de Brasil

Aeroportos brasileiros superam 120 milhões de passageiros em 2025

STF torna ré mulher que hostilizou Flávio Dino em avião no Maranhão

São Paulo avança para estrear modelo inédito de licitação no Brasil

Cerca de um terço dos cursos de medicina do país tiveram desempenho ruim no Enamed