Brasil

Partidos do Centrão decidem se posicionar em bloco para rejeitar MP alternativa ao IOF

Medida é considerada fundamental para fechar as contas de 2026 pelo governo

Ciro Nogueira é senador pelo PP do Piauí  (Marcos Corrêa/PR/Flickr)

Ciro Nogueira é senador pelo PP do Piauí (Marcos Corrêa/PR/Flickr)

Agência o Globo
Agência o Globo

Agência de notícias

Publicado em 8 de outubro de 2025 às 18h11.

Última atualização em 8 de outubro de 2025 às 18h31.

Partidos do Centrão decidiram se posicionar em bloco contra a aprovação da medida provisória alternativa ao IOF, que altera a tributação sobre investimentos e aumenta o imposto cobrado de fintechs, entre outras medidas. União Brasil e PP já fecharam questão contra a medida.

Já o líder do PSD na Câmara, deputado Antônio Brito (BA), vai orientar votação contrária, mas liberou a bancada. De outro lado, interlocutores do governo afirmam que, caso a MP não prospere, a saída para o Orçamento pode ser congelar despesas, inclusive emendas. A MP vence nesta quarta-feira. Ontem, na comissão mista do Congresso, o resultado foi bastante apertado, 13 votos a favor e 12 contra.

O líder do União Brasil na Câmara, deputado Pedro Lucas, afirmou que o partido vai se posicionar contra toda medida que significa aumento de impostos.

— A bancada do União Brasil na Câmara fechou questão contra a MP 1303, de acordo com a proposta orientada pela Executiva Nacional — disse, em coletiva, acrescentando que caberá punições, como advertências.

O PP divulgou uma nota em que informou que as bancadas da Câmara e do Senado fecharam questão contra a medida.

"A decisão reafirma o compromisso do nosso partido com o povo brasileiro de impedir qualquer novo aumento de carga tributária no país".

O senador Ciro Nogueira, presidente do PP, também afirmou que o partido é contrário à iniciativa.

— O nosso partido é totalmente contrário a qualquer aumento de carga tributária, principalmente com esse viés aí que não tem nenhum benefício para a população, a não ser ressaltar ainda mais a falta de cuidado com as contas públicas e controle dos gastos no Brasil. Ao contrário do aumento da isenção até R$ 5 mil, que ali tinha um benefício para a população, aí justificava nós aumentarmos a carga tributária. No caso da MP, é só mais um assalto ao bolso do contribuinte — disse o presidente do PP.

No governo, o clima é de apreensão. Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e líderes partidários admitem que o cenário é difícil. Após as mudanças realizadas pelo relator, o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), a avaliação é que o problema não é mais de texto, mas político. Zarattini afirmou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tem atuado para conseguir votos contra a MP. Tarcísio nega.

As receitas previstas na versão original da MP já são consideradas no Orçamento de 2025 e 2026. Para este ano, a arrecadação esperada é de cerca de R$ 10 bilhões, enquanto, no ano que vem, com as mudanças, deve ficar em cerca de R$ 17 bilhões.

Aliados de Lula dizem que pode ser necessário contingenciar recursos no Orçamento deste ano. No caso de congelar R$ 10 bilhões, seriam R$ 2,5 bilhões em emendas.

Acompanhe tudo sobre:economia-brasileiraIOFCâmara dos DeputadosSenadoSenado Federal

Mais de Brasil

Aeroportos brasileiros superam 120 milhões de passageiros em 2025

STF torna ré mulher que hostilizou Flávio Dino em avião no Maranhão

São Paulo avança para estrear modelo inédito de licitação no Brasil

Cerca de um terço dos cursos de medicina do país tiveram desempenho ruim no Enamed