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Novo tarifaço atingiria 21% das exportações brasileiras aos EUA, dic MDIC

Ministro criticou suposta ação de Flávio Bolsonaro para prejudicar negociações entre Brasil e Estados Unidos

Ministro Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Júlio César Silva/MDIC/Divulgação)

Ministro Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Júlio César Silva/MDIC/Divulgação)

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 2 de junho de 2026 às 13h40.

Última atualização em 2 de junho de 2026 às 13h47.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou nesta terça-feira, 2, que um novo tarifaço dos Estados Unidos às exportações brasileiras nos moldes da recomendação feita pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR na sigla em inglês) atingiria 21% das vendas do Brasil aos americanos.

O ministro ressaltou a jornalistas que o governo Lula vai atuar para que a recomendação do USTR não seja acatada pelo presidente Donald Trump e disse que o MDIC ainda está em negociação com a contraparte americana.

"Essa recomendação feita pelo USTR alcançaria hoje em torno de 21% que o país exporta para os Estados Unidos, porque nós temos cerca de 54% do que nós exportamos para os EUA livres do tarifaço, 25% (das exportações brasileiras inseridas) na chamada seção 232 (a exemplo do aço) e 21% é que ficaria exposto se essa recomendação se convertesse, se essa tarifa fosse aplicada", disse o ministro.

De acordo com o ministro, os setores mais prejudicados seriam o de máquinas e equipamentos (um dos que mais exportam aos EUA), além das indústrias de plásticos, calçados, madeira e da exportação de peixes e crustáceos. Esses segmentos já haviam sido atingidos pelo primeiro tarifaço, de 50%, imposto por Trump ao Brasil em agosto de 2025.

O ministro lamentou, sem citar Flávio Bolsonaro (PL-RJ) o suposto lobby do senador junto ao governo americano em prol do tarifaço. O presidenciável bolsonarista, que se reuniu na semana passada com Trump em Washington, nega publicamente que tenha pedido tarifas contra o Brasil.

"Desde a visita do presidente Lula ao presidente Trump, ficou acertado que nós faríamos diálogos permanentes e tem havido diálogo, nós tivemos pelo menos quatro reuniões formais. A última foi na última quinta-feira, na sexta-feira pela manhã as equipes técnicas também se reuniram para a discussão de vários aspectos, e para prestar todos os esclarecimentos. Mas, toda vez que a gente avança, surge um complicador, não é? Alguém para dificultar o diálogo e aí, muitas vezes, há uma ameaça de retrocesso", disse Márcio Elias Rosa.

O ministro disse, no entanto, que não há retrocesso efetivo porque as negociações continuam, mas negou que concessões sobre o Pix, sistema de pagamentos criticado pelo USTR, estejam na mesa.

"O presidente Lula age com muita coerência, com muita clareza, com muita transparência e não vai permitir jamais que qualquer tema caro à soberania nacional, como é o Pix, por exemplo, fique na mesa de negociação", ressaltou Márcio Elias.

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