Não é churrasco, está muito cara a carne, diz Bolsonaro

"Essa época, todo ano tem a entressafra, sobe 10, 15%. Agravou um pouquinho porque nós abrimos o comércio", justificou

Brasília — O presidente Jair Bolsonaro afirmou a jornalistas neste domingo que a alta nos preços da carne se deve à “entressafra”.

Segundo o jornal O Globo, quando questionado se iria a um churrasco no Clube do Exército, Bolsonaro respondeu que “não é churrasco não”.

“Tá muito cara a carne”, afirmou ele. “Essa época, todo ano tem a entressafra, sobe 10, 15%. Agravou um pouquinho porque nós abrimos o comércio. Se é pra fechar o comércio, e aí, vamos tabelar a carne? O que vocês acham? Taxar, quer que taxe a carne pra exportação, o que vocês acham disso?”, indagou.

Em outro momento, o presidente afirmou que as negociações em torno de metas climáticas são apenas um “jogo comercial” e lembrou que a cúpula do clima da ONU, que terminou neste domingo sem avanços relevantes, não aconteceu no Brasil por uma decisão sua.

“Por que que eu não aceitei a COP25 no Brasil? Eu não aceitei, eu que decidi. Estariam fazendo aqui um Carnaval no Brasil agora”, afirmou o presidente a jornalistas neste domingo na porta do Palácio da Alvorada ao ser questionado sobre o desfecho da cúpula.

“Quero saber, alguma resolução é para a Europa começar a ser reflorestada ou só ficam perturbando o Brasil? É um jogo comercial, eu não sei como, né, que o pessoal não consegue entender que é um jogo comercial”, acrescentou o presidente.

A COP25, em seu comunicado final, apoiou apenas uma declaração sobre a “necessidade urgente” de fechar a lacuna entre as emissões atuais e as metas de temperatura do Acordo do Clima de Paris, de 2015 — um resultado que o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, chamou de decepcionante.

Brasil, China, Estados Unidos, Austrália e Arábia Saudita lideraram a resistência a uma ação mais ousada, disseram delegados.

O ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, afirmou em nota no Twitter que a cúpula “não deu em nada”. “Países ricos não querem abrir seus mercados de crédito de carbono. Exigem medidas e apontam o dedo para o resto do mundo, sem cerimônia, mas na hora de colocar a mão no bolso, eles não querem”, disse Salles.

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