Lula: presidente afirmou que o Judiciário tem atuado como guardião da Constituição (Gustavo Moreno/STF/Divulgação)
Redação Exame
Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 16h29.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, 2, na abertura do ano do Judiciário no Supremo Tribunal Federal (STF), que as eleições deste ano representarão um desafio adicional para a Justiça Eleitoral diante do avanço da inteligência artificial e da disseminação de notícias falsas.
Em seu discurso, Lula citou práticas como abuso de poder econômico, disparos criminosos de fake news, uso indevido de algoritmos de plataformas digitais, contratação de influenciadores para atacar adversários e a utilização de inteligência artificial para falsificar imagens, áudios e vídeos.
"É preciso garantir que a Justiça brasileira possa fazer frente às transformações que se impõem de maneira tão veloz e sorrateira", disse o presidente.
Lula também afirmou que o Judiciário tem atuado como guardião da Constituição e ressaltou que o STF não assumiu atribuições de outros Poderes, limitando-se ao cumprimento de suas competências institucionais.
"O Judiciário tem sido o guardião da Constituição, do Estado Democrático de Direito e da soberania do voto popular. O STF não buscou protagonismo, muito menos tomou para si atribuição de outros poderes. Agiu no estrito cumprimento de sua responsabilidade institucional", disse o presidente.
Ao comparar o cenário atual com o período posterior aos atos de 8 de janeiro, o presidente disse que o país vive um momento distinto, após a punição dos responsáveis pelos ataques às instituições democráticas, mas reforçou que a democracia exige vigilância permanente.
"A condenação dos golpistas deixou uma mensagem clara: os responsáveis por qualquer futura tentativa de ruptura democrática serão punidos com o rigor da lei", afirmou Lula.
No mesmo discurso, Lula disse que órgãos do governo avançaram no combate ao crime organizado e chegaram aos “magnatas do crime”, que atuam fora das comunidades e concentram poder econômico.
O presidente citou a Operação Carbono Oculto, que investigou conexões do PCC com fintechs usadas para lavagem de dinheiro, como exemplo da atuação conjunta do Judiciário, da Polícia Federal e da Receita Federal.
Segundo Lula, as investigações alcançaram mandantes que vivem em endereços nobres no Brasil e no exterior. "Não importa onde os criminosos estejam. Não importa o tamanho de suas contas bancárias. A Polícia Federal está aprofundando as investigações. E todos pagarão pelos crimes que cometeram", disse.
*Com informações do Globo