Manifestantes contra governo se negam a desobstruir Paulista

O grupo de cerca de 250 pessoas permanece, desde o início da manhã, ocupando toda pista, nos dois sentidos

Os manifestantes que protestam contra o governo na Avenida Paulista, região central da capital, decidiram não atender ao apelo da Polícia Militar (PM) para desobstruir a via.

Os policiais solicitaram que ao menos as faixas de ônibus fossem abertas. No entanto, o grupo de cerca de 250 pessoas permanece, desde o início da manhã, ocupando toda pista, nos dois sentidos, em frente a sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O tráfego está sendo desviado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para vias paralelas.

Muitos carregam bandeiras do Brasil e alguns vestem camisas da seleção brasileira. Os manifestantes gritam palavras de ordem e fazem barulho com apitos e cornetas.

Os principais alvos do protesto são o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que assumiu há pouco a chefia da Casa Civil, e a presidenta Dilma Rousseff.

O estudante de engenharia e microempresário Anderson Rocha disse que está no local desde a noite de ontem (16), quando participou da manifestação que reuniu cerca de 5 mil pessoas, de acordo com a estimativa da Polícia Militar.

Para ele, Lula se tornou ministro para dificultar as investigações da Operação Lava Jato.

“Ele está assumindo o ministério para fugir da Justiça”, disse o jovem de 26 anos, que veio à avenida quando soube que o ex-presidente aceitou o convite para o cargo, ontem à tarde.

O enólogo Willian Mascarenhas, de 67 anos, se destaca no grupo carregando uma bandeira do estado de São Paulo e trajando o uniforme da chamada Revolta Constitucionalista de 1932.

Na ocasião, os paulistas se insurgiram contra o governo de Getúlio Vargas. “Acho que no Brasil está tendo muito roubo, muita corrupção. Nem os juízes conseguem acabar com isso”, ressaltou Willian.

No entanto, ele disse estar disposto até mesmo pegar em armas para derrubar o atual governo. “O povo paulista e o povo brasileiro se unem para limpar de novo o Brasil, nem que tenha que ser com uma revolução armada”.

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