Lira angaria centenas de apoios e quer vitória em primeiro turno

Além do Republicanos e do União Brasil, que já oficializaram o apoio, partidos como PDT e PSD devem ajudar na reeleição do deputado à Presidência da Câmara em 2023
 (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
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Alessandra Azevedo, de BrasíliaPublicado em 24/11/2022 às 06:00.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), já conta com o apoio de centenas de deputados para se manter no cargo por mais dois anos, a partir de 2023. A eleição da nova Mesa Diretora da Casa está prevista para fevereiro do ano que vem. As articulações entre os partidos se intensificaram logo após as eleições de outubro.

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A bancada do Republicanos, que terá 42 deputados a partir de 2023, foi a primeira a anunciar o apoio à recondução de Lira. O atual presidente da Câmara "reúne condições para garantir a estabilidade que a Casa precisa para votar projetos importantes nos próximos dois anos", disse o partido, em nota divulgada após reunião em Brasília.

No dia seguinte, foi a vez do União Brasil se unir ao grupo. “Caminharemos juntos com o presidente Arthur Lira como nosso candidato. Quero trazer nosso abraço e nosso apoio à sua recondução à Câmara”, disse o presidente nacional do União Brasil, Luciano Bivar, na quarta-feira, 23. O partido elegeu a terceira maior bancada da Casa, com 59 deputados

O Podemos, que terá 12 deputados, deve ir pelo mesmo caminho. “Vamos apoiar o Arthur”, confirmou a presidente nacional do partido, deputada Renata Abreu (SP), na terça-feira. O PSC, que elegeu 6 deputados, se fundirá ao Podemos em dezembro. Os parlamentares que não saírem da sigla devem seguir o posicionamento oficial.

O PDT, que elegeu 17 deputados, sinalizou que apoiará Lira, mas o partido ainda precisa se reunir para oficializar o entendimento, o que deve acontecer no dia 6 de dezembro. Embora ainda não tenha tornado o posicionamento público, o PSD também já teria conversado com Lira, na semana passada, e garantido a ele que apoiará sua reeleição. A bancada contará com 42 deputados em 2023. 

Se os indicativos do PDT e do PSD forem confirmados, Lira já teria um potencial de 225 votos, contando com os 47 do PP -- cálculo que não leva em conta os eventuais dissidentes, deputados que votam contra a recomendação do partido. Para ser eleito presidente da Câmara em primeiro turno, ele precisa de 257 votos (metade do total mais um).

As conversas, até agora, afastam a chance de que partidos como Republicanos e União Brasil lancem candidaturas próprias, possibilidade que era estudada por parlamentares das duas siglas. Com o apoio explícito a Lira, o nome do deputado do PP se consolida como o mais forte na disputa, ainda sem concorrente.

A intenção do alagoano é garantir uma vitória mais expressiva do que a de 2021, quando uniu 11 partidos em um bloco parlamentar e conseguiu 302 votos. Para 2023, o deputado quer consolidar o apoio de siglas adversárias, como o PL, do presidente Jair Bolsonaro, e o PT, do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

O PL elegeu em outubro a maior bancada da Câmara, com 99 deputados. No início de novembro, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, disse que o apoio a Lira será mantido em 2023, desde que o deputado ajude a emplacar um candidato do PL à presidência do Senado. 

A federação PT/PCdoB/PV terá 79 deputados. Na quinta-feira, 24, a bancada do PT deve discutir a possibilidade de apoiar Lira. Após uma conversa com o presidente da Câmara, no início do mês, Lula afirmou que não influenciará na eleição.

Lira também tem conversado com o MDB, que elegeu 42 deputados. Em 2021, o principal adversário do alagoano na disputa foi Baleia Rossi (MDB-SP), que ficou em segundo lugar, com 145 votos. 

Naquele ano, o emedebista teve o apoio explícito da maior parte das bancadas de esquerda, incluindo do PT e do PDT, mas muitos deputados não votaram no candidato escolhido pelo partido e preferiram apoiar o parlamentar do PP.