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"Lava Jato não vai mudar o Brasil", diz Dallagnol em evento

Coordenador da Lava Jato disse temer que Congresso barre medida para evitar a prescrição dos crimes de corrupção

Deltan Dallagnol: "Brasil tem governo forte e sociedade civil fraca. Temos que inverter essa equação." (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Deltan Dallagnol: "Brasil tem governo forte e sociedade civil fraca. Temos que inverter essa equação." (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 28 de novembro de 2016 às 12h01.

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Rio - O coordenador da força-tarefa da Lava Jato, procurador Deltan Dallagnol, afirmou que sua grande preocupação é que o projeto de lei contra a corrupção que será votado no Congresso não inclua medidas para evitar a prescrição dos crimes de corrupção.

Dallagnol citou exemplos de casos de corrupção como o Propinoduto, no Rio de Janeiro, em que a condenação em primeira instância ocorreu em 2003, mas recursos ainda tramitam no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e crimes como o de corrupção e formação de quadrilha já prescreveram. Segundo Dallagnol, há o risco de que US$ 30 milhões sejam devolvidos aos condenados.

"As 10 medidas contra a corrupção foram elaboradas por vários especialistas, tiveram revisão da Procuradoria Geral da República e apresentadas ao Congresso, onde dormitaram em berço esplêndido. Até que a sociedade civil recolheu dois milhões de assinaturas, uma movimentação recorde, e criou-se ambiente propício para tramitar. Mas saíram todos os pontos de maior polêmica, como a regulação dos habeas corpus, tratamento de provas ilícitas. Minha maior preocupação não tem nada para gerar a celeridade dos processos", afirmou Dallagnol nesta segunda-feira, 28, na Fundação Getulio Vargas.

Dallagnol afirmou que a Lava Jato não vai transformar o Brasil. "A Lava Jato é mais um caso criminal, como foi o mensalão. Ela vai punir as pessoas e recuperar parte do dinheiro", afirmou.

Ele defendeu maior participação da sociedade para a mudança do País. "Brasil tem governo forte e sociedade civil fraca. Temos que inverter essa equação. Se vocês continuarem achando normal o que é anormal, continuaremos a ter um País que não desejamos", afirmou.

O procurador participa na manhã desta segunda-feira, 28, de debate sobre as 10 medidas de combate à Corrupção, organizado pela FGV Direito Rio.

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