Parceiro institucional:
Reunião na Turquia: André Corrêa do Lago ao lado do presidente da COP31 em encontro estratégico sobre a próxima conferência do clima, em Antalya. (Yasin Akgul/AFP/Getty Images)
Parceiro de conteúdo
Publicado em 29 de setembro de 2026 às 15h05.
* Por Daniel Nardin com edição Exame
O economista e presidente da Fundação Africana para o Clima, Carlos Lopes, avalia que a COP31, que será realizada em novembro na Turquia, não deve trazer muitos avanços e novos acordos.
Segundo ele, que tem experiência em cargos de liderança da Organização das Nações Unidas (ONU), a movimentação e articulação da comissão organizadora não conseguiu driblar o contexto geopolítico internacional, que chegou a impactar a COP30 realizada em Belém, em 2025, com a presidência brasileira.
Carlos Lopes é um dos jurados do Prêmio Gulbenkian para a Humanidade, que em 2026 teve como vencedora a Alianza Ceibo, organização indígena amazônica com atuação no Equador, Colômbia e Peru.
Para ele, embora o início de 2025, com o novo governo de Donald Trump e a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris, tenha sido de ambiente desfavorável, a movimentação prévia do Brasil permitiu alguns avanços, sobretudo na ação de adaptação e no financiamento para a ação climática.
"A presidência brasileira conseguiu contornar o problema criando uma outra forma de engajamento, muito mais voltada a uma agenda da ação que fica fora do sistema de negociações e que permitiu a expressão de muitos atores que normalmente tinham dificuldades em entrar no processo negociável. E também tentando dar duas prioridades para a COP: uma relativa à adaptação e outra relativa à proteção das florestas", disse.
O Fundo para Florestas Tropicais, pelo Brasil, foi uma dessas novidades. "No caso das florestas, por exemplo, o Brasil propôs a criação de um fundo com características e metodologias diferentes daquelas que têm sido utilizadas pelo financiamento climático", disse.
Sobre a edição 31 da COP, que será realizada na Turquia e numa presidência conjunta com a Austrália, as expectativas seguem baixas e sem maiores movimentações, o que influencia no ambiente das negociações durante o encontro internacional.
"Vamos para a COP 31 com o mesmo tipo de atitude que antecedeu a COP 30. Ou seja, expectativas muito baixas. E não estou a visualizar por parte do organizador, neste caso a Turquia, nada de específico para além de um programa de eletrificação que seria uma questão adicional em termos de ambição", lamenta.