Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 09h10.
A maior participação das construtoras em leilões de concessão e PPPs deve ocorrer de forma natural, à medida que o setor recupera capacidade financeira e operacional, afirma Humberto Rangel, diretor executivo do Sinicon (Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada).
“As construtoras foram pioneiras nas primeiras concessões. Muitas empresas que estão até hoje no setor nasceram com participação direta das empreiteiras”, afirma em entrevista ao Exame Infra, programa da EXAME em parceria com a empresa Suporte.
Segundo ele, o protagonismo perdido após a crise iniciada em 2015 pela Lava Jato tende a ser retomado assim que as empresas se fortalecem em um novo ciclo de investimentos em infraestrutura.
O executivo lembra que a queda brusca do mercado entre 2015 e 2020 reduziu o porte e a capacidade de alocação de capital de risco das empresas de engenharia.
“Houve uma retração no tamanho e na capacidade dessas empresas de colocar capital em projetos de infraestrutura”, diz.Para Rangel, o importante é que o investimento aconteça e que as empresas se fortaleçam. A definição sobre qual agente lidera cada projeto, afirma, depende da estratégia e da capacidade de capitalização de cada grupo.
O diretor da Sinicon avalia que a retomada do mercado, com maior presença privada, tende a gerar um processo contínuo de recomposição da musculatura das construtoras.
“A participação como investidora vai se dar naturalmente. Não é possível cravar uma escala, mas esse movimento já começou”, afirma.Ele argumenta que as empresas de engenharia brasileiras têm histórico de diversificação e vocação para investimento produtivo. No passado, grupos do setor mantiveram presença em áreas como petroquímica e cimento, além de outros segmentos industriais.
Segundo Rangel, esse perfil empresarial — voltado à produção e à expansão — permanece como um ativo relevante do país. “O DNA da empresa de engenharia está voltado para produção. Isso não se perde”, afirma.
O modelo atual de concessões e parcerias público-privadas, as chamadas PPPs — contratos de longo prazo entre poder público e iniciativa privada — tem estimulado estruturas societárias mais complexas. Construtoras participam como sócias, executoras ou parceiras de operadores especializados e fundos de investimentos.
Rangel lembra que, em ciclos anteriores, empresas do setor chegaram a se alavancar para investir além da própria geração de caixa.
O cenário atual, segundo ele, é mais cauteloso, com maior disciplina financeira e participação relevante do mercado de capitais.