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Guarda Municipal é acusada de violência no carnaval do Rio

Corporação afirma que tumulto ocorreu após um grupo “tentar depredar a praça e o entorno”

Guarda Municipal: corporação informou que tumulto aconteceu após depredação (Divulgação/Prefeitura do Rio)

Guarda Municipal: corporação informou que tumulto aconteceu após depredação (Divulgação/Prefeitura do Rio)

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Da Redação

Publicado em 13 de fevereiro de 2016 às 15h52.

O desfile noturno de um bloco de carnaval no Rio de Janeiro terminou com foliões feridos e quatro detidos após confronto com a Guarda Municipal (GM). Na madrugada deste sábado (13), o Tecnobloco terminava o cortejo na Praça Mauá, na zona portuária, quando acabou sendo dispersado pelos agentes. Testemunhas relatam uso desproporcional da força. A Guarda rebateu que agiu para evitar a depredação de patrimônio público no local, recém-revitalizado.

Vídeos na internet mostram que a confusão começou logo depois de a banda tocar a canção Carinhoso, de Pinxinguinha, de frente para os agentes, posicionados em linha. Não era a primeira vez que um bloco finalizava desfile da madrugada no local, até então, sem qualquer registro de confusão. Na última terça-feira (9), o Bloco Secreto passou por ali, quando uma multidão dançou sob a marquise do Museu da Amanhã e se refrescou no espelho d'água.

Nesta manhã, a foliã Bruna Marques confirmou que duas amigas foram hospitalizadas e precisaram imobilizar partes do corpo com gesso, por causa das agressões sofridas. Uma delas teve também o celular roubado durante a ação, o que a GM nega. Bruna disse que os agentes usaram bomba de gás contra a multidão e justificaram a repressão dizendo “que não poderia haver bloco na Praça Mauá porque o prefeito [Eduardo Paes] não quer”. Ela condenou a violência.

Outra testemunha, Caroline Marangoni, também publicou relatos da confusão em rede social. Contou que foi agredida mesmo pedindo “calma” aos guardas. “Eu literalmente olhei nos olhos deles e pedi amor, eles literalmente me responderam com porrada e gás”. A foliã criticou a repressão ao carnaval de rua. “Que tipo de guarda é essa que nós temos? Eu não posso ocupar a rua, cantar e tocar? Não era uma área residencial e nem nada”, desabafou.

As pessoas detidas estão sendo ouvidos na 5ª Delegacia de Polícia e ainda não foram liberadas.

Por meio de nota, a Guarda Municipal informou que acompanhava o cortejo normalmente, mas que o tumulto ocorreu após um grupo “tentar depredar a praça e o entorno”. Naquele momento, “os guardas tentaram impedir e foram hostilizados”, com arremesso de garrafas. Os agentes afirmam ter registrado lixeiras destruídas, depredação de mobiliário e tentativa de pichação.

Esse não foi o primeiro relato de confusão entre foliões e a Guarda Municipal neste carnaval. Na abertura não-oficial, em 3 de janeiro, após uma desastrada repressão a vendedores ambulantes que não tinham autorização para atuar nas ruas, a GM dispersou a multidão com cassetes, spray de pimenta e bombas de efeito moral. Pessoas acabaram feridas no corre-corre, no centro.

A Guarda informou que a Corregedoria está à disposição para receber denúncias das vítimas.

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