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Greve geral na Argentina causa cancelamentos de voos no Brasil

Paralisação acontece contra a reforma trabalhista que Javier Milei tenta aprovar no Congresso

Argentina: greve geral paralisa aeroportos, comércios e transporte público. (Luis ROBAYO / AFP)

Argentina: greve geral paralisa aeroportos, comércios e transporte público. (Luis ROBAYO / AFP)

Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 13h27.

Última atualização em 19 de fevereiro de 2026 às 13h31.

A greve geral na Argentina que acontece nesta quinta-feira, 19, já começa a afetar o Brasil.

Segundo o Aeroporto Internacional de Guarulhos, 14 voos foram cancelados nesta manhã. O aeroporto ainda alerta que há previsão de atualizações ao longo do dia.

A Latam afirmou que precisou alterar a operação e alguns voos podem sofrer mudanças de horários e datas, mas sem necessidade de cancelamentos. De acordo com a companhia aérea, os passageiros devem se manter atualizados quanto às informações das passagens e verificar o status dos voos antes de ir aos aeroportos.

Essa é a quarta greve geral que o país enfrenta no governo de Javier Milei. O protesto é contra a reforma trabalhista que o Executivo tenta aprovar no Congresso.

A paralisação ocorre no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados debate o projeto, já aprovado pelo Senado, em meio a forte resistência sindical e mobilização nas ruas.

De acordo com estimativas do Instituto de Economia da Universidade Argentina da Empresa (UADE) e do Ministério da Economia, o custo econômico da greve é de cerca de US$ 575 milhões — quase R$ 3 bilhões —, o equivalente a 0,8% do PIB de fevereiro.

A proposta, classificada pela central sindical como “regressiva e inconstitucional”, reduz indenizações, amplia a jornada de trabalho para até 12 horas e limita o direito de greve. O governo sustenta que as mudanças vão reduzir a informalidade — que atinge mais de 40% do mercado de trabalho — e estimular a criação de empregos, com menor carga tributária sobre os empregadores.

Contexto da greve

A greve de 24 horas começou à meia-noite e foi amplamente acatada por sindicatos. Em Buenos Aires, poucas linhas de ônibus circularam quase vazias, enquanto o trânsito de carros particulares ficou acima do normal.

Supermercados, farmácias e comércios mantiveram as portas fechadas nas primeiras horas do dia. Estações de trem e pontos de transporte coletivo registraram movimento reduzido.

O debate da reforma na Câmara está previsto para começar às 14h (horário local, o mesmo de Brasília). Sindicatos e partidos de oposição convocaram manifestações em frente ao Congresso. Um artigo que reduzia pela metade o salário em caso de doença foi retirado do texto pela base governista. O governo tenta concluir a tramitação antes de 1º de março, quando Milei fará um discurso no Congresso.

Se aprovadas na Câmara, as mudanças retornam ao Senado, que poderá votar o texto na próxima semana. A proposta integra o pacote de reformas que o governo pretende aprovar na segunda metade do mandato, após a vitória nas eleições legislativas de outubro e a redução da inflação para 32% em 12 meses.

A paralisação ocorre em um cenário de retração da atividade industrial. Segundo fontes sindicais, mais de 21 mil empresas fecharam nos últimos dois anos, com perda de cerca de 300 mil postos de trabalho.

O caso mais recente citado é o da Fate, fábrica de pneus que anunciou o fechamento de sua fábrica em Buenos Aires e a demissão de mais de 900 trabalhadores, atribuindo a decisão à queda de competitividade com a abertura das importações.

O impacto também atingiu o setor aéreo. Mais de 400 voos foram cancelados, afetando mais de 64 mil passageiros e cargas, segundo a Câmara de Linhas Aéreas na Argentina; a Aerolíneas Argentinas reprogramou 255 voos. Trabalhadores portuários paralisaram embarques em terminais como o de Rosário, um dos maiores portos agroexportadores do país.

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