Nokia (Roman Mykhalchuk/Getty Images)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 1 de outubro de 2026 às 04h01.
Última atualização em 1 de outubro de 2026 às 09h59.
O interesse por dumbphones combina a busca por menos distrações com uma oportunidade comercial para fabricantes. Uma pesquisa americana mostra que jovens adotam medidas para limitar as redes sociais, mas não comprova uma troca generalizada de aparelhos. Enquanto a HMD registra crescimento nesse segmento, o mercado mundial de celulares básicos continua em retração.
Um celular que faz menos pode oferecer algo que os smartphones têm dificuldade de entregar: menos distrações. Essa é a proposta dos dumbphones, aparelhos básicos que atraem uma parcela da geração Z interessada em reduzir o acesso às redes sociais.
Os fabricantes perceberam a oportunidade. A HMD, responsável por aparelhos da marca Nokia, lançou em 2024 um celular da Barbie: rosa, dobrável e sem aplicativos de redes sociais. A limitação, antes uma desvantagem diante dos smartphones, tornou-se o argumento de venda.
Há demanda por desconexão. Em uma pesquisa da Harris Poll com 1.006 americanos de 18 a 27 anos, realizada em agosto de 2024, 83% disseram adotar alguma medida para limitar o uso das redes. Apagar aplicativos foi uma delas, mencionada por 40%; desativar notificações fora dos aplicativos, por 36%.
O levantamento mede tentativas de controlar o uso, porém, não a substituição de smartphones. A distinção importa: querer passar menos tempo no Instagram não significa estar disposto a abandonar mapas, aplicativos bancários e mensagens instantâneas.
“Dumbphone” é um rótulo amplo. Inclui celulares voltados a ligações e mensagens, mas também aparelhos que preservam algumas ferramentas digitais. A Light Phone, por exemplo, oferece mapas, música e calendário, enquanto exclui redes sociais e seus feeds. A proposta é selecionar o que permanece no bolso.
A HMD afirma que suas vendas de celulares básicos cresceram dois dígitos em 2024, em relação a 2023. É um resultado de uma fabricante, sem divisão por idade dos compradores. Não demonstra que toda uma geração esteja deixando os smartphones.
O quadro mundial aponta na direção oposta. Segundo a Counterpoint Research, cerca de 210 milhões de celulares básicos foram vendidos em 2024, aproximadamente 15% do mercado de aparelhos. A categoria continua em retração, à medida que consumidores de países em desenvolvimento migram para smartphones.
São movimentos que podem coexistir. Enquanto parte dos consumidores busca seu primeiro aparelho conectado, outros procuram um telefone que reduza as oportunidades de conexão. O interesse pelo segundo grupo criou espaço para produtos específicos, sem inverter a trajetória do mercado.
A troca também cobra um preço em conveniência. WhatsApp, transporte por aplicativo e serviços bancários podem ficar de fora, dependendo do modelo.
Por isso, a própria HMD promove o celular básico como uma opção para pausas temporárias — inclusive aos domingos. Sua aposta comercial admite que o smartphone pode continuar por perto.
São celulares com funções limitadas em comparação aos smartphones. Alguns oferecem principalmente ligações e mensagens; outros incluem ferramentas como mapas e música, mas excluem redes sociais.
Fabricantes apostam na busca por menos distrações e menor acesso às redes sociais. Uma pesquisa da Harris Poll mostrou que 83% dos americanos de 18 a 27 anos entrevistados adotavam alguma medida para limitar o uso dessas plataformas.
Os dados citados não demonstram uma migração em massa. Há fabricantes com crescimento nas vendas de celulares básicos, mas o mercado mundial dessa categoria continua em retração, segundo a Counterpoint Research.