Eleições 2026: pesquisa foi realizada pelo Instituto Paraná Pesquisas entre os dias 18 e 22 de dezembro de 2025 (Arquivo/Agência Brasil)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 27 de junho de 2026 às 08h00.
A disputa presidencial de 2026 deve ser definida menos pelos polos ideológicos tradicionais e mais pelos eleitores classificados como pragmáticos, críticos e híbridos. A avaliação é do CEO do Instituto Alfa Inteligência e Estratégia Política, Emanoelton Borges, a partir de pesquisa qualitativa que mapeia o comportamento do eleitorado brasileiro.
“Nós encontramos cinco Brasis”, afirmou Borges ao apresentar a segmentação do eleitorado durante o programa Eleições em Pauta da EXAME.
O estudo do Instituto Alfa divide o eleitorado em cinco grupos: progressistas ideológicos, conservadores ideológicos, críticos, sobreviventes pragmáticos e eleitores híbridos. Foram mais de 60 grupos focais para montar esse mapa do eleitorado.
Segundo a análise, os dois primeiros grupos concentram maior fidelidade eleitoral, um ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outro ao senador Flávio Bolsonaro (PL), enquanto os demais têm maior volatilidade e devem decidir a eleição.
Na avaliação do executivo, o erro das campanhas está em não compreender os atributos que influenciam a decisão de voto fora dos polos ideológicos.
“O principal erro das campanhas é não estudar esses grupos para saber quais são os atributos que possam ganhar esse coração para o voto”, disse Borges.
Segundo o estrategista, esses grupos não se guiam por ideologia, mas por impacto econômico imediato.
“A ideologia do sobrevivente pragmático é ter dinheiro para pagar o boleto no fim do mês”, afirmou Borges ao descrever o eleitor pragmático.
Entre os perfis mais voláteis está o eleitor crítico, descrito como avesso a práticas tradicionais da política e com forte rejeição a estruturas partidárias consolidadas. Segundo Borges, é nesse grupo que alguns nomes conseguem maior tração eleitoral, como o presidente do partido Missão, Renan Santos.
“O Renan Santos surfa bem. É um eleitor que é contra o clientelismo político, contra a família que tem sucessivos mandatos, contra a corrupção”, disse o executivo.
Na avaliação do Instituto Alfa, esse eleitorado tende a responder a discursos mais diretos e com forte componente de crítica institucional.
Ao mesmo tempo, Borges avalia que esse espaço ainda é limitado dentro da estrutura atual da disputa presidencial, que segue dominada por dois polos.
Ele cita que nomes como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) podem disputar esse espaço, mas enfrentam dificuldades para ultrapassar o limite atual de adesão eleitoral dentro do cenário de polarização.
Nas pesquisas do instituto, 38% dos eleitores apontam que querem reeleger Lula, enquanto 35% dizem que vão votar em um candidato indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Os eleitores fora da polarização vão somar em torno de 25% do eleitorado. Não é suficiente para eleger só, mas é suficiente para fazer a diferença”, afirmou.
Segundo ele, o momento atual representa uma fase de transição, em que o sistema político ainda está concentrado em lideranças consolidadas como Lula e Bolsonaro, enquanto novos nomes tentam se posicionar para ciclos futuros.
“Essa janela temporal de polarização vai durar quatro anos e, daqui a quatro, vai ter as renovações”, disse Borges ao avaliar o ciclo político.
Na avaliação do executivo, esse cenário limita a expansão de alternativas fora da polarização em 2026.
O sentimento predominante do eleitor brasileiro, segundo o CEO do Instituto Alfa Inteligência, é de desgaste acumulado com o cenário político e econômico. Esse estado de “exaustão”, na avaliação dele, redefine a forma como o voto é decidido em 2026.
“O sentimento predominante no Brasil hoje é de exaustão”, disse.
Borges descreve esse estágio como o ápice de uma sequência de frustrações que se acumula ao longo do tempo e reduz a confiança na melhora do país no curto prazo.
Na avaliação dele, esse cenário também aparece quando o eleitor projeta o futuro do país, com predominância de pessimismo nas respostas.
“Quando perguntamos em relação ao futuro do Brasil, 57% dos brasileiros afirmam que vai piorar”, afirmou o executivo.