Lula: PT divulga plano de governo do candidato para presidência em 2026 (PT / Divulgação)
Colaboradora
Publicado em 8 de agosto de 2026 às 15h46.
A corrida presidencial de 2026 já tem candidato definido do lado do governo. Na sexta-feira, 7, o PT protocolou na Justiça Eleitoral o registro da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, com Geraldo Alckmin novamente como vice na chapa "Brasil Pronto Pra Mais".
Junto com o pedido de registro, a coligação também entregou o programa de governo para um eventual quarto mandato.
O documento tem 84 páginas e está dividido em 13 eixos, com destaque para políticas sociais, educação, saúde e segurança pública, temas que marcaram os três mandatos anteriores de Lula à frente do Executivo.
Nas maioria das pesquisas de intenção de voto, o petista aparece na liderança da disputa.
Segundo levantamentos dos institutos Ideia e Quaest divulgados na primeira semana de agosto, Lula tem vantagem tanto no primeiro quanto em simulações de segundo turno.
Com a eleição marcada para 4 de outubro, vale a pena entender o que o programa de governo promete para as áreas que mais afetam o dia a dia da população.
O programa mantém a educação básica como prioridade, mas também prevê expansão do ensino técnico e do ensino superior público.
A referência para o próximo ciclo é o Plano Nacional de Educação 2026-2036.
Segundo o texto, o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada levou a proporção de crianças alfabetizadas na idade certa a 66% em 2025, acima da meta de 64% que havia sido fixada.
A chapa quer elevar esse índice para 80% no próximo mandato.
Outras propostas da área incluem:
Em resumo, a aposta é combinar mais tempo na escola, combate à evasão, expansão da educação técnica e interiorização das universidades federais.
A proposta prevê uma participação maior da União na segurança pública, com integração entre governo federal, estados e municípios.
O texto reafirma a defesa da PEC da Segurança Pública, já aprovada na Câmara dos Deputados e em tramitação no Senado.
Caso a PEC seja aprovada, o programa prevê a criação de um Ministério da Segurança Pública, que passaria a coordenar as políticas nacionais do setor dentro do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).
Entre as propostas de combate ao crime organizado estão:
No campo da integração entre polícias, o programa fala em modernizar o Sistema de Inteligência de Segurança Pública e Justiça Criminal e ampliar o compartilhamento de dados entre forças de segurança.
Sobre armas, a chapa promete manter a política de controle de armas e munições e melhorar a rastreabilidade de armas e munições em circulação.
No sistema prisional, as metas incluem:
Já no policiamento, o texto incentiva modelos de policiamento de proximidade e a ampliação do uso de câmeras corporais com padrões nacionais.
Na área digital, o programa quer intensificar a repressão a fraudes bancárias e crimes cibernéticos, ampliar o Programa Celular Seguro (que já tem mais de 4 milhões de usuários cadastrados) e priorizar crimes contra crianças, mulheres, a população LGBTQIAP+ e crimes de ódio.
Em resumo, a proposta é sair de um modelo mais fragmentado entre estados para uma atuação federal mais integrada, apoiada em inteligência, combate ao dinheiro do crime organizado e cooperação entre as polícias.
Esse é um dos eixos mais detalhados do programa, com duas frentes principais: combate à violência contra a mulher e ampliação da autonomia econômica feminina.
No combate à violência, o Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio continua como eixo central. Segundo o texto, a expedição de Medidas Protetivas de Urgência caiu de 16 para 3 dias desde que o pacto entrou em vigor.
O programa prevê concluir as 30 Casas da Mulher Brasileira e os 15 Centros de Referência da Mulher Brasileira que estão em construção, além de ampliar as Salas Lilás e distribuir equipamentos para monitoramento de agressores.
Na autonomia econômica, as propostas incluem continuar implementando a Lei da Igualdade Salarial, ampliar linhas de crédito para agricultoras e extrativistas dentro do Pronaf, fortalecer o programa de qualificação Mulheres Mil e estimular o empreendedorismo feminino.
Outro ponto de destaque é a Política Nacional de Cuidados, que trata o cuidado como um direito a ser dividido entre Estado, sociedade, homens e mulheres.
O programa prevê a expansão de Cuidotecas para crianças de 3 a 12 anos, lavanderias públicas, cozinhas solidárias e restaurantes populares, com o objetivo de reduzir o peso do trabalho doméstico e de cuidado historicamente concentrado nas mulheres.
Nessa área, o eixo central é a consolidação de um sistema de proteção social permanente, e não apenas a transferência direta de renda.
O Bolsa Família segue como um dos pilares, com foco na manutenção e no aperfeiçoamento do programa, atenção a crianças e adolescentes e combate à pobreza infantil.
O governo também pretende fortalecer o Sistema Único de Assistência Social, o SUAS, ampliando a Proteção Social Básica e a Proteção Social Especial, modernizando a rede de atendimento e reforçando a capacidade de resposta a famílias atingidas por desastres climáticos.
Na segurança alimentar, o programa lembra que o Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU e cita como exemplo concreto a alimentação escolar: hoje 45% das compras já vêm da agricultura familiar e 80% da alimentação escolar é composta por alimentos in natura ou minimamente processados, percentuais que o governo quer manter e ampliar junto a estados e municípios.
O documento também traz propostas específicas para idosos, pessoas com deficiência, crianças e adolescentes, jovens, povos indígenas, quilombolas, população negra e comunidades tradicionais.
Em resumo, a proposta social da chapa é ampliar um modelo que combina transferência de renda, assistência social, segurança alimentar, política de cuidados e inclusão produtiva.
Na saúde, o foco declarado é fortalecer o SUS e reduzir filas, principalmente na atenção especializada.
Na atenção básica, o programa prevê continuar expandindo as equipes de Saúde da Família, ampliar a telessaúde e aumentar a oferta de exames e diagnósticos.
Um dos pontos mais destacados é a saúde digital.
O texto fala em consolidar o prontuário único do cidadão por meio da Rede Nacional de Dados em Saúde, permitir marcação de consultas e acesso a exames pelo celular, e usar inteligência artificial para triagem, priorização de casos graves e regulação por risco clínico.
O programa Mais Médicos, que dobrou de tamanho no atual mandato, será mantido, com prioridade para a fixação de médicos em municípios vulneráveis.
Já o Agora Tem Especialistas, que segundo o texto realizou 15 milhões de cirurgias em 2025, maior volume da história do SUS, deve ganhar mais um turno de atendimento, mais Carretas da Saúde e mutirões.
Na área do câncer, a proposta é consolidar uma rede pública de prevenção, diagnóstico e tratamento com novos equipamentos, expansão da radioterapia e ampliação dos centros especializados, os UNACONs e CACONs.
O Farmácia Popular deve seguir 100% gratuito, com ampliação dos pontos de retirada e a incorporação de exames laboratoriais para o acompanhamento de doenças crônicas como hipertensão e diabetes.
Por fim, a vacinação continua como prioridade, com o objetivo de manter a recuperação da cobertura vacinal alcançada nos últimos anos, incluindo vacinação nas escolas, dengue, HPV e novas vacinas no calendário do SUS, como a vacina contra o VSR para gestantes.
Com a eleição marcada para outubro, as pesquisas de intenção de voto já mostram um cenário de país polarizado, embora com vantagem para Lula nas rodadas mais recentes.
Na pesquisa Meio/Ideia, divulgada em 5 de agosto, Lula aparece com 43% das intenções de voto no primeiro turno, contra 35% do senador Flávio Bolsonaro, principal adversário do petista.
No cenário de segundo turno, a distância aumenta: Lula tem 48,5% contra 43% de Flávio Bolsonaro.
A pesquisa Genial/Quaest, divulgada no mesmo dia, também aponta vantagem do presidente, mas com margem menor do que na rodada de julho.
No primeiro turno, Lula tem 39% contra 30% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de 9 pontos percentuais, ante 12 pontos na rodada anterior.
Em simulação de segundo turno, o placar fica em 44% para Lula contra 39% para o senador.
Vale lembrar que os institutos usam metodologias, amostras e períodos de coleta diferentes, então os resultados de cada pesquisa não devem ser comparados diretamente entre si.
De qualquer forma, o quadro geral aponta um eleitorado ainda dividido, mas com o presidente mantendo a dianteira enquanto a campanha de outubro se aproxima.