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Demitido da PF, Valeixo diz estar tranquilo e que não tem apego ao cargo

Diretor-geral indicado por Moro vinha sofrendo desgaste com o presidente desde o ano passado

Governo: Bolsonaro exonerou nesta sexta (24) Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da PF (Denis Ferreira/Estadão Conteúdo)

Governo: Bolsonaro exonerou nesta sexta (24) Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da PF (Denis Ferreira/Estadão Conteúdo)

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Agência O Globo

26 de abril de 2020, 13h20

Demitido do cargo de diretor-geral da Polícia Federal nesta sexta-feira pelo presidente Jair Bolsonaro, o delegado Maurício Valeixo afirmou a interlocutores que está "muito tranquilo" diante da situação e tem repetido que não tem "apego a cargos".

Nome de confiança do ministro da Justiça Moro, Valeixo vinha sendo fritado no cargo desde a metade do ano passado, quando o presidente quis indicar um nome para a Superintendência da PF no Rio de Janeiro e sofreu resistência dentro da corporação por causa da tentativa de interferência política.

Na ocasião, Bolsonaro subiu o tom contra a PF e deu declarações de que poderia demitir o diretor-geral da corporação, mas a crise arrefeceu diante da atuação de auxiliares do Palácio do Planalto.

Diante dos desgastes, Valeixo negociava uma saída pacífica do cargo para meados de junho deste ano, mas aguardava que Moro deflagrasse a sucessão ao comando da PF.

Cotados para o cargo

Desde o início desta semana, Valeixo recebeu sinais do Palácio do Planalto de que poderia ser demitido do cargo, diante das movimentações políticas do delegado da PF Anderson Torres, secretário de Segurança Pública do DF que é cotado ao cargo e esteve com Bolsonaro no Planalto anteontem.

Tanto Valeixo como Moro foram pegos de surpresa pelo decreto de demissão que foi publicado no Diário Oficial desta sexta-feira. Apesar de constar no decreto que a exoneração de Valeixo ocorreu a pedido dele próprio, esse pedido na verdade não existiu.

Em conversas com pessoas próximas nesta sexta, Valeixo afirmou que está "muito tranquilo" diante da demissão. Ontem, em meio às especulações de sua saída, ele disse a superintendentes da PF que não tem "apego ao cargo" e estava cumprindo uma missão delegada pelo ministro Sergio Moro.

Havia expectativa de que, quando deixasse o cargo, Valeixo fosse nomeado ao posto de adido da PF em Portugal, uma espécie de compensação honrosa por seus serviços prestados. Diante do acirramento da crise com Bolsonaro, porém, essa indicação não está garantida.

Mesmo diante da demissão, Valeixo manteve seu perfil discreto e ainda não se manifestou internamente para a corporação nem fez declarações públicas a respeito da saída.