Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 17h17.
O Brasil passa a ter, pela primeira vez, uma regra nacional clara e uniforme para a realização da prova prática de direção.
Com a publicação do novo Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular (MBEDV) no domingo, 1º, a baliza deixa de ser obrigatória e eliminatória, e o candidato será avaliado por sua conduta em vias públicas — não mais por manobras isoladas ou comandos chamados de artificiais.
O novo modelo, segundo a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), é fundamentado nos princípios da Visão Zero, estratégia internacional voltada à eliminação de mortes no trânsito, e no conceito de Sistemas Seguros.
A prioridade, segundo o governo, é reduzir riscos, estimular decisões conscientes e focar na interação com pedestres, ciclistas e outros veículos.
A avaliação agora pontua apenas infrações reais do Código de Trânsito Brasileiro, e o candidato é aprovado se somar até 10 pontos.
Faltas eliminatórias automáticas, como deixar o carro morrer, deixam de existir. Já erros como desrespeitar a faixa de pedestres ou não parar em cruzamentos passam a ter peso real.
Segundo Adrualdo Catão, secretário Nacional de Trânsito, a reforma visa “menos encenação e mais realidade”.
“O foco do exame se desloca para o que realmente importa: a condução em via pública, a leitura do trânsito, a tomada de decisões e a convivência com outros veículos e pedestres”, afirmou.
O novo manual publicado pela Senatran detalha como deve ser o exame prático de direção, que agora deve espelhar a circulação real nas ruas da cidade. Entre as principais mudanças:
A prova prática passará a acontecer em trajetos representativos da realidade de cada cidade, com evolução de complexidade ao longo do percurso. A ambientação do condutor ocorrerá nas primeiras situações e os desafios mais exigentes ficarão para a segunda metade.
O roteiro deverá incluir obrigatoriamente:
Também é fortemente recomendado que haja:
Por outro lado, estão vetados elementos que possam representar risco ou criar dificuldade artificial. Isso inclui:
É proibido criar armadilhas, "pegadinhas" ou comandos ambíguos para induzir o erro. O objetivo, segundo o manual, é avaliar de forma justa, segura e condizente com o trânsito cotidiano.
A manobra de estacionamento, anteriormente eliminatória, agora será integrada ao percurso de forma natural, segundo o manual. Não haverá cronômetro, e o candidato poderá fazer ajustes, incluindo o uso da marcha à ré, desde que preserve a segurança.
A vaga terá o tamanho do veículo somado a 50% de sua dimensão, o que exclui exigências de extrema precisão. Manobras de alto nível de dificuldade cognitiva, como balizas apertadas, também estão proibidas.
O novo modelo aproxima o exame da vida real e busca um condutor mais consciente dos riscos — e não apenas treinado para passar em uma prova.
A Senatran confirmou que o candidato pode usar veículos automáticos no exame prático, desde que segundo as normas de trânsito. Também não há diferenças na aplicação do teste em estados diferentes: todas as unidades da federação devem seguir as mesmas regras, embora os trajetos variem conforme o desenho urbano local.
O novo manual tem força normativa nacional. Caso um Detran desrespeite as diretrizes, o CTB prevê sanções administrativas, sindicância e, em último caso, intervenção no órgão, com substituição da presidência mediante aprovação do Contran.
Segundo o Ministério dos Transportes, as mudanças visam tornar o processo mais justo, menos burocrático e mais acessível. O formato anterior era considerado punitivo e descolado da realidade, contribuindo para o alto número de motoristas não habilitados no país.
Com o novo exame, o governo espera formar condutores mais conscientes e preparados para o trânsito real, além de reforçar o papel da prova como instrumento de segurança viária — e não de exclusão.