Repórter
Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 14h06.
Documentos tornados públicos nas últimas semanas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos indicam que Jeffrey Epstein constava com um CPF brasileiro em registros anexados ao processo criminal que tramitou nos Estados Unidos. O bilionário norte-americano foi acusado de tráfico sexual de menores e outros crimes federais.
A menção ao documento aparece em uma listagem incluída na pasta intitulada “Arquivos diversos”, vinculada ao nome de Jeffrey Epstein. O cadastro também registra a data de nascimento do empresário, 20 de janeiro de 1953.
O material divulgado aponta ainda que Epstein discutiu a possibilidade de obter cidadania brasileira com a empresária e investidora alemã Nicole Junkermann. O nome dela figura em diferentes arquivos relacionados ao caso, segundo informações da emissora britânica BBC.
Em uma troca de e-mails datada de outubro de 2011, Junkermann questionou se o empresário havia considerado solicitar a cidadania no Brasil. A correspondência integra o conjunto de documentos que vieram a público após novas divulgações oficiais do caso.
Situação cadastral do CPF de Jeffrey Epstein apresentada em documento da Receita Federal (Receita Federal/Reprodução)
O processo envolvendo Jeffrey Epstein se estendeu por anos no sistema judicial americano. As primeiras acusações formais surgiram em 2005, quando a polícia de Palm Beach, na Flórida, iniciou investigação sobre suspeitas de abuso sexual de menores. À época, ele declarou que os encontros foram consensuais e afirmou acreditar que as jovens tinham 18 anos.
Segundo a acusação, os crimes teriam ocorrido entre 2002 e 2005, período em que adolescentes teriam sido aliciadas para atos sexuais. Em 2008, Epstein se declarou culpado por exploração de menores e firmou um acordo judicial que resultou em 13 meses de prisão e pagamento de indenizações.
Em fevereiro de 2019, um juiz distrital da Flórida anulou o acordo firmado anteriormente. Em julho daquele ano, Epstein foi preso novamente e formalmente acusado de abuso de menores e de operar uma rede de exploração sexual. De acordo com o governo dos Estados Unidos, mais de 250 meninas menores de idade foram vítimas do esquema.
As investigações apontaram que adolescentes recebiam pagamentos de centenas de dólares para comparecer a imóveis do empresário em Nova York, na Flórida e no Novo México. Parte delas teria sido estimulada a recrutar outras jovens.
Promotores federais defenderam a manutenção da prisão preventiva, citando patrimônio elevado, posse de aeronaves privadas e conexões internacionais como fatores de risco para fuga. Epstein foi encontrado morto em agosto de 2019, em uma prisão federal. A autópsia concluiu que a causa da morte foi suicídio.
Dois dias antes, ele havia assinado um testamento que estimava seu patrimônio em mais de US$ 577 milhões. Após sua morte, as acusações criminais foram formalmente encerradas. Autoridades americanas declararam que outras pessoas poderiam ser responsabilizadas no âmbito das investigações, enquanto representantes das vítimas informaram que buscariam reparação financeira na Justiça.