Brasil

Câmara aprova MP com trechos contra aborto e políticas LGBT

No texto, foram aprovadas duas emendas apresentadas por parlamentares da bancada evangélica com trechos contrários ao grupos LGBT e ao aborto


	Retrocesso: foram aprovadas duas emendas apresentadas por parlamentares da bancada evangélica com trechos contrários ao grupos LGBT e ao aborto
 (Bandeira gay)

Retrocesso: foram aprovadas duas emendas apresentadas por parlamentares da bancada evangélica com trechos contrários ao grupos LGBT e ao aborto (Bandeira gay)

DR

Da Redação

Publicado em 19 de fevereiro de 2016 às 08h37.

Brasília - A Câmara dos Deputados aprovou nessa quinta, 18, com emendas, a redação final da Medida Provisória 696/2015, que oficializa a reforma administrativa promovida pelo governo federal em outubro do ano passado.

No texto, foram aprovadas duas emendas apresentadas por parlamentares da bancada evangélica com trechos contrários ao grupos LGBT e ao aborto.

Uma dessas emendas foi apresentada pelo PRB, partido composto em sua maioria por parlamentares evangélicos.

A emenda retirou do texto a expressão "da incorporação da perspectiva de gênero" prevista como um dos aspectos que o recém-criado Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos deveria levar em conta na formulação, coordenação, definição de diretrizes e articulação de políticas para as mulheres.

Na prática, o novo texto aprovado retirou a previsão para que, na elaboração de suas políticas para as mulheres, a pasta leve em consideração os transexuais, pessoas que têm uma identidade de gênero diferente do sexo biológico.

A retirada do trecho foi aprovada por 188 votos a 166. Para parlamentares evangélicos, a inclusão da expressão significaria a destruição da concepção tradicional de família, formada pela união de um homem com uma mulher, e a aceitação da existência do que chamam de um "terceiro sexo". "Querem introduzir uma terceira ordem sexual", afirmou o deputado Ronaldo Nogueira (PRB-RS).

Já parlamentares de partidos mais à esquerda, como PT, PCdoB e PSOL, protestaram contra a mudança, com a alegação de que essa alteração faz parte da pauta conservadora presente no Congresso.

"Temos de parar de raciocinar como século 19 e pensar como século 21", criticou a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

Aborto

Outra emenda polêmica aprovada foi apresentada pelo deputado Alan Rick (PRB-AC).

A emenda acrescentou ao texto da MP que o Ministério de Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos deverá coordenar a política nacional de direitos humanos em conformidade não só com as diretrizes do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNHD), mas com os direitos e as liberdades reconhecidos pelos termos do Pacto de São José da Costa Rica.

Reconhecido na Convenção Americana sobre Direitos Humanos, o pacto condena o aborto. Entre outros pontos, o texto do pacto diz que toda pessoa tem direito de respeito à vida, e que esse direito deve ser protegido pela lei desde o momento da concepção.

A emenda foi aprovada em votação simbólica, na tarde de ontem, sem que deputados de partidos mais à esquerda pedissem a realização de votação nominal.

Governo

Também foram aprovadas emendas que devolveram as atribuições da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e da Secretaria de Micro e Pequena Empresa para a estrutura da Secretaria de Governo, como defendia o governo.

Pelo texto-base da MP aprovado ontem, os dois órgãos estavam vinculados ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Acompanhe tudo sobre:FeminismoMachismoLGBTAbortoEvangélicos

Mais de Brasil

Chuva forte deixa mais de 100 mil imóveis sem energia em São Paulo

Anvisa anuncia proibição de suplementos da empresa Livs Brasil

Morte do cão Orelha mobiliza protestos pelo Brasil

Defesa Civil emite alerta de chuva forte e granizo em São Paulo neste domingo