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Bolsonaro recomendou a Moro que se demitisse, mostra relatório da PF

Conversas telefônicas indicam que Bolsonaro pressionou o ex-ministro da Justiça após se sentir contrariado com uma declaração de Moro à imprensa

Bolsonaro e Moro são investigados por suposta interferência do presidente na PF (Adriano Machado/Reuters)

Bolsonaro e Moro são investigados por suposta interferência do presidente na PF (Adriano Machado/Reuters)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 3 de setembro de 2020 às 07h02.

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Relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal mostra troca de mensagens inéditas entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro. A conversa, por telefone, indica que o presidente pressionou o ex-juiz da Lava Jato após se sentir contrariado com uma declaração de Moro à imprensa.

O relatório da PF analisou conversas trocadas entre os dois entre 12 e 23 de abril - um dia antes de o ex-ministro anunciar sua demissão e acusar o presidente de interferir politicamente no comando da corporação para obter dados sigilosos.

A conversa ocorreu no dia 12 de abril, quando Bolsonaro encaminhou notícia do jornal Valor Econômico na qual Moro diz que a polícia poderia prender quem descumprisse o distanciamento social na quarentena.

"Se esta matéria for verdadeira, todos os ministros, caso queira contrariar o presidente, pode fazê-lo, mas tenha dignidade para se demitir. Aberto para a imprensa", escreveu Bolsonaro a Moro. O então ministro respondeu: "O que existe é o artigo 268 do Código Penal. Não falei com imprensa". O artigo 268 considera crime punível com detenção a quem infringir determinação do poder público que se destina a impedir propagação de doença contagiosa.

Bolsonaro e Moro são investigados em inquérito aberto em abril no STF para apurar as acusações do ex-ministro sobre suposta interferência do presidente na PF. O Palácio do Planalto nega.

Nesta quarta-feira, 2, a PF pediu a prorrogação do inquérito por mais 30 dias. O caso está sendo conduzido pelo ministro Celso de Mello, do STF, que está de licença médica. Uma das diligências que devem ser realizadas é o depoimento de Bolsonaro, ainda sem data e forma para ocorrer.

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