Brasil

Base aliada espera R$ 1,5 bilhão para emendas

Os critérios de divisão dos recursos devem ser definidos pelo Planalto até o fim da semana


	Emendas: a estimativa de liberação é 50% maior do que o governo sinalizou no debate da MP dos Portos que expôs o desgaste na base
 (Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)

Emendas: a estimativa de liberação é 50% maior do que o governo sinalizou no debate da MP dos Portos que expôs o desgaste na base (Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)

DR

Da Redação

Publicado em 5 de junho de 2013 às 08h50.

Brasília - Depois do ensaio de rebelião capitaneado pelo PMDB, o Planalto iniciou uma operação para aplacar a insatisfação da base. O Congresso obteve sinalização de que serão liberados cerca de R$ 1,5 bilhão em emendas individuais aos parlamentares. A previsão é que isso ocorra na segunda metade de junho.

Os critérios de divisão dos recursos devem ser definidos pelo Planalto até o fim da semana, segundo apurou o jornal O Estado de S. Paulo. Pressionada pela base, Dilma se reuniu com os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e Henrique Alves (PMDB-RN).

A estimativa de liberação é 50% maior do que o governo sinalizou no debate da MP dos Portos que expôs o desgaste na base. Essa será a primeira parcela de emendas autorizadas em 2013 pela equipe econômica do governo.

Uma segunda parcela deve ser distribuída em meados de julho, quando os deputados e senadores se reúnem para votar o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Entre as dúvidas por parte do governo na partilha está, por exemplo, se o tratamento ao PSD será de aliado ou oposição. Também está incerto o montante que será destinado aos representantes dos partidos de oposição como PSDB, DEM e MD.

Há também indefinição em relação ao PMDB. Embora o partido seja considerado o principal aliado do governo no Congresso, integrantes da cúpula da sigla passaram a dizer que não fazem questão do recebimento das emendas.

"Não estou preocupado com isso", disse o líder da sigla na Câmara, Eduardo Cunha (RJ). "Não vai ser emenda que vai resolver. É a política que o governo tem que fazer", acrescentou o vice-líder, Danilo Fortes (CE).


PEC

Por trás do desdenho dos peemedebistas está a pressão para se aprovar ainda neste semestre a proposta de emenda à Constituição que impõe ao governo a execução de todas as emendas dos parlamentares. Hoje, cada um dos 593 congressistas tem direito a R$ 15 milhões em emendas individuais.

A discussão da PEC é capitaneada pelo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que, apesar das críticas da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, diz não abrir mão de votá-la.

Na reunião com a cúpula peemedebista, Dilma teria concordado em enviar o novo Código de Mineração ao Congresso como projeto de lei em caráter de urgência, e não medida provisória, segundo Renan e Alves. Seria uma forma de apaziguar os ânimos dentro da base, mas a tática acabou criticada, pois teria efeito prático nulo.

Outra queixa é que não vai adiantar mudar a forma de envio das propostas se o governo não aceitar mudanças no texto original. "O gesto ajuda, mas vamos aguardar para ver como o governo vai se comportar na hora de negociar alterações no texto", disse o líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque (RS).

O líder do PT no Senado, Wellington Dias (PI), considerou a mudança no tratamento dos projetos um passo para ampliação do diálogo dentro da base. "Com um projeto de lei abre-se um caminho para discussão."

Acompanhe tudo sobre:Governo DilmaPolíticaCongresso

Mais de Brasil

Receita dispensa auditor alvo de operação sobre acesso a dados de ministros do STF

TSE marca julgamento que pode cassar mandato de Claudio Castro para 10 de março

Governo lança processo seletivo para contratar 489 profissionais temporários

Paes anuncia Jane Reis como vice na chapa pela disputa do governo do Rio