Brasil

Barril do petróleo pode chegar a US$ 130: como ficam preços no Brasil?

Novas limitações à compra do petróleo russo e aumento da demanda na China já começam a elevar cotação do combustível; Petrobras é pressionada a não realizar novos reajustes

Boris Johson, Joe Biden, Olaf Scholz e Emmanuel Macron durante encontro do G7, na Alemanha (BRENDAN SMIALOWSKI/AFP via Getty Images/Getty Images)

Boris Johson, Joe Biden, Olaf Scholz e Emmanuel Macron durante encontro do G7, na Alemanha (BRENDAN SMIALOWSKI/AFP via Getty Images/Getty Images)

CA

Carla Aranha

Publicado em 28 de junho de 2022 às 12h15.

Diante de novos aumentos do petróleo no início dessa semana, com o barril cotado a mais de 111 dólares, os temores de uma escalada de preços entraram novamente no radar. O estopim, dessa vez, foi dado pelo encontro do G7, em que se discutem novas limitações à compra do petróleo russo, e expectativas de uma aceleração da demanda na China com o fim dos lockdowns.

Reunidos na Alemanha, os líderes dos países mais ricos do mundo devem fechar um acordo para limitar os preços do petróleo russo. O objetivo é enfraquecer a economia russa e reduzir os avanços de Vladimir Putin sobre a Ucrânia. Analistas e investidores, no entanto, temem que o tiro possa sair pela culatra: o Kremlin já ameaçou reduzir ainda mais o fornecimento de petróleo para Europa caso a iniciativa seja levada adiante. Conforme os países ocidentais aumentam as sanções a Moscou, a Gazprom, gigante de energia russa, tem reduzido as entregas de gás natural e petróleo para os países europeus.

Em um quadro de oferta reduzida, os preços do petróleo vêm subindo. Cerca 66% do petróleo russo tem dificuldade em encontrar compradores atualmente, segundo o JPMorgan, maior banco em valor de mercado do mundo – a maior parte da produção russa tem sido adquirida pela China e a Índia, com desconto. Mesmo assim, em um quadro de retração das compras da Europa, Moscou começou a fechar a torneira da extração de petróleo.

“A produção de petróleo na Rússia já foi bastante reduzida e deve cair ainda mais, em cerca de 1 milhão de barris por dia, até o final do ano”, diz Reid L´Anson, economista sênior da consultoria Kpler, especializada no mercado de energia. A expectativa é que, com isso, haja novos aumentos de preço, com valores ao redor de 125 dólares ou 130 dólares. “O mercado parece estar voltando às condições de oferta insuficiente, já que a demanda chinesa voltou e o consumo nos países da OCDE continua forte”.

Desde o início da guerra na Ucrânia, a cotação do barril aumentou mais de 60%. Sinais de fraqueza na economia europeia e americana, ambas às voltas com as maiores taxas de inflação das últimas décadas e ameaça de recessão, podem reduzir os preços mais para o final do ano, na visão da Kpler. “Uma limitação na demanda deve manter a cotação em 115 ou 120 dólares, mas até lá poderemos ver valores mais altos”, afirma L´Anson.

O problema não é só a Rússia. Em um cenário de tempestade perfeita, países produtores como a Líbia e o Equador têm enfrentado protestos, devido a crises políticas e econômicas, que arriscam limitar as exportações – algumas refinarias na Líbia foram fechadas em razão das manifestações.

Nesse cenário, os países ocidentais têm buscado uma aproximação com o Irã e a Venezuela. Nesta segunda, dia 27, representantes dos governos iraniano e americano embarcaram para o Catar para uma nova rodada de negociações. No início deste mês, os Estados Unidos autorizaram as petroleiras Repsol e Eni a exportar petróleo da Venezuela para a Europa a partir de julho. A Chevron também recebeu sinal verde para retomar as operações na Venezuela.

Brasil

No Brasil, alguns Estados anunciaram redução na cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) sobre a gasolina. Em São Paulo, o litro da gasolina deve ficar R$ 0,50 mais em conta. Goiás também anunciou uma queda nas alíquotas do imposto para conter a alta de preços. Com isso, os consumidores devem pagar R$ 0,85 reais na bomba.

Ao mesmo tempo, lideranças do Congresso e do governo têm pressionado a Petrobras a não realizar novos reajustes. Caso prevaleça o sistema vigente, de paridade com o preço internacional do petróleo, o mercado crê que as oscilações globais na cotação da commodity acabem sendo repassadas para os consumidores brasileiros.

Após assumir a presidência da companhia nesta segunda, dia 27, Caio Paes de Andrade, ex-secretário de Desburocratização do Ministério da Economia, já estaria ouvindo pedidos para fazer trocas na diretoria, segundo fontes próximas ao governo, e colocar nomes mais alinhados ao Palácio do Planalto. Hoje, o núcleo duro da empresa é formado por especialistas do mercado financeiro e executivos que fizeram carreira na estatal.

LEIA MAIS:

 

 

 

Acompanhe tudo sobre:PetróleoRússiaGasolinapostos-de-gasolina

Mais de Brasil

Escala 6x1: Lula confirma reunião com Motta e critica transição gradual de redução de jornada

Definição da candidatura ao Senado deve sair até início de junho, diz Marina

Indefinição do PT atrapalha, diz Tabata sobre chapa da esquerda em SP

Ministro do Planejamento nega chance de reajuste no Bolsa Família